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04 de novembro, 2005 - 08h29 GMT (06h29 Brasília)

Apologias e desculpas

Em 1950, eu e Marlon Brando estávamos vivos.

Ele estreando na tela com o filme Os Homens, dirigido pelo Fred Zinnemann, que no Brasil ganhou o esplêndido título de Espíritos Indômitos, eu na platéia do cine Ipanema, logo ali na praça General Osório, numa tarde serena de segunda-feira.

Por ter morado uns aninhos nos Estados Unidos, e ter continuado meu aprendizado de inglês nas quintas filas dos cinemas, nas musiquinhas tocadas no rádio e nas histórias em quadrinhos, eu me gabava de ter um razoável conhecimento de inglês.

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O suficiente para "tirar" a letra de um fox, assim feito Blue Moon, para uma mocinha e pegar o que aquela gente maravilhosa (maravilhosa para mim, ao menos) dos filmes dizia.

A uma certa altura dos homens de espíritos indômitos, o paraplégico Marlon Brando recebe a visita da hoje injustamente esquecida Teresa Wright.

Eram namorados, haviam brigado. Nas legendas, Brando perguntava: "Você veio aqui pedir apologias?"

Eu quase que engasgo com o meu caramelo Busi, ou então cigarro Hollywood, não me lembro direito.

Uma coisa eu sabia, a platéia (aqueles outros 15 desocupados) sabia: Teresa Wright viera pedir desculpas, isso sim.

Ela veio para "apologize", com Z, como preferem os americanos, com S, como insistem os ingleses.

O importante é que Brando queria saber se ela estava arrependida, se estava ali para ser perdoada.

Tolices ‘legendárias’

Foi quando comecei a colecionar besteira de legendas de filme.

Em 1951, quando Billy Eckstine estourou nas bocas com sua versão da música I Apologize (afinal ele e composição eram americanos), desisti da empreitada.

Era um pouco demais para minha beleza, feito passamos a dizer alguns aninhos mais tarde.

Sei, e todo mundo sabe, que as tolices "legendais" tornaram-se "legendárias", erro grotesco que estou cansado de ver nas folhas brasileiras.

E aí está meu "ponto", para continuar dizendo besteira.

Os filmes, não sei, mas a imprensa… Minha nossa! É de ruborizar um autor de legendas em português dos filmes dos anos 40, 50, 60 etc.

Esse problema, se problema for (não me parece; vejo poucas reclamações), passou para a imprensa escrita, falada e televisada, como anunciavam as escolas de samba de antanho (pois não?), para não falar daqui onde estamos: presos na rede cibernética.

Eu vim fazer a apologia de uma língua portuguesa falada e praticada no Brasil, parafraseando o espírito indômito do inesquecível Marlon Brando.