01 de novembro, 2005 - 20h09 GMT (18h09 Brasília)
Marcia Carmo
de Buenos Aires
Mais de 80 pessoas, segundo a polícia, foram presas, e outras 17 estão hospitalizadas depois de um quebra-quebra na localidade de Haedo, em Morón, na Grande Buenos Aires.
Foram três horas de incêndios, correrias e pedradas. Autoridades do governo de Morón afirmaram, diante das câmeras de televisão, que o protesto começou contra a qualidade do serviço oferecido pela empresa privatizada de trens TBA, mas acabou numa manifestação agressiva, com jovens de rostos cobertos, pedras e paus, que saquearam a bilheteria da estação e atacaram agências bancárias e comércio.
Em meio a fúria, fogo e destroços, muitos trabalhadores e comerciantes trancaram-se em seus estabelecimentos até a polícia cercar a área atacada e prender os manifestantes mais violentos.
De acordo com as mesmas autoridades de Morón, entrevistadas por emissoras de TV, o episódio pode ter sido "aproveitado" por grupos políticos que pretendem protestar contra a viagem do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ao país.
Bush desembarca na Argentina nesta quinta-feira para participar, até sábado, da IV Cúpula das Américas. Seu vôo chegará diretamente ao balneário de Mar del Plata, onde será realizado o encontro.
Confusão
A confusão em Morón começou, segundo autoridades locais, quando os trens atrasaram.
Após a destruição da estação de trens e de vagões de trens, o grupo de esquerda Quebracho distribuiu um comunicado à imprensa reivindicando o "protesto". No texto, o grupo afirma que a manifestação foi "justa e necessária" e que "é preciso reagir contra as empresas privatizadas".
Imediatamente, o sindicato dos ferroviários condenou a manifestação, marcou greve de 24 horas contra a TBA e em solidariedade aos ferroviários de Haedo.
Segundo Horácio Caminos, porta-voz do sindicato Fraternidade, que reúne os maquinistas, o quebra-quebra em Haedo foi um "ato anti-Bush". Outros ferroviários afirmaram ter visto camisetas de protesto e ouvido gritos "fora Bush".
No entanto, as autoridades argentinas não esclareceram se o quebra-quebra teve algum fundo político.