24 de outubro, 2005 - 18h49 GMT (15h49 Brasília)
Ben Bernanke deve assumir o Federal Reserve, o Banco Central americano, em meio a condições econômicas difíceis.
No curto prazo, o Fed estará sob pressão para suspender os aumentos das taxas de juros a fim de ajudar a economia americana a se recuperar do impacto do furacão Katrina.
A "bolha" de preços no mercado inflacionário também dá sinais de estar entrando em colapso, o que reduziria os gastos dos consumidores.
Por outro lado, os preços elevados do petróleo podem incrementar as pressões inflacionárias, o que aumentaria a tentação para manter a alta gradual dos juros.
No longo prazo, o crescente déficit comercial e o grande buraco no Orçamento do governo colocam cada vez mais pressão sobre o preço do dólar – cujo valor faz parte das responsabilidades do Fed, assim como o controle da inflação.
A tarefa de Bernanke não é facilitada pelo fato de que ele vai começar sua gestão à poderosa sombra de Alan Greenspan, que nos últimos 18 anos desempenhou com firmeza o espinhoso cargo de presidente do Fed.
Neste período, Greenspan exerceu grande influência sobre os mercados financeiros, com o Fed servindo como uma fonte de estabilidade durante momentos de crise e liderando a luta contra a inflação nos Estados Unidos.
Alguns analistas atribuem em grande parte a Greenspan o notável desempenho da economia americana nos anos 1990.
Perfil
Ben Bernanke desenvolveu a maior parte de sua carreira no Departamento de Economia da Universidade de Princeton.
Ele é um dos mais respeitados defensores do conceito das metas inflacionárias – a idéia de que os Bancos Centrais devem estabelecer um limite máximo para a inflação do país e trabalhar com o objetivo de que este patamar não seja ultrapassado (no Brasil, por exemplo, a meta para 2005 é de 5,1%).
Esta estratégia não é a preferida por Alan Greenspan, que está à frente do Fed há quase 18 anos e acredita que os Bancos Centrais precisam manter os mercados na expectativa de saber qual será o seu grau de agressividade no combate à inflação.
O sistema de metas inflacionárias é amplamente utilizado na Europa, sendo o preferido tanto pelo Banco Central Europeu quanto pelo Banco da Inglaterra.
Seus partidários afirmam que as metas ajudam a reduzir as expectativas do público em geral com relação à inflação.
Mas, assim como Greenspan, Bernanke acredita que é difícil para os Bancos Centrais intervirem para evitar "bolhas" nos preços de ativos, como fortes aumentos dos preços das moradias.
Mercados satisfeitos
A indicação de Bernanke foi bem recebida pelos mercados financeiros, onde os operadores estão familiarizados com suas idéias.
"Vai haver continuidade", disse o economista Alex Beuzelin, analista da Ruesch International.
"O risco seria vir alguém que o mercado não conhecesse, ou um monetarista radical."
Mas há quem não tenha gostado da indicação.
"Ele é muito rápido no gatilho e suas idéias sobre a inflação e a deflação se mostraram erradas", disse o economista Rich Parker, do grupo Stamford.
Sua indicação também não deve ser popular entre os integrantes mais ferrenhos do Partido Republicano, que não vêem Bernanke como um "jogador do time".