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20 de outubro, 2005 - 10h51 GMT (07h51 Brasília)

O inglês e a lontra

As escolas públicas de Raleigh, na Carolina do Norte, estão dando uma lição no resto do país: 80% dos estudantes passaram nos testes estaduais. Há dez anos, o número não chegava a 40%. Salto recordista.

A mudança foi a implantação de um dos métodos mais agressivos de integração econômica dos estudantes. Nenhuma escola pode ter mais de 40% de pobres, não importa a cor.

Alunos ricos e de classe média são levados dos subúrbios para escolas públicas na cidade e vice-versa com os pobres, a maioria negra, em viagens que duram até uma hora.

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Entre os pais ricos houve e ainda há resistência, mas graças aos resultados acadêmicos, o número de queixas é baixo. Os que objetam acham que o programa deveria ser opcional e não mandatório.

A qualidade das escolas obceca americanos em geral e Nova York em particular. Há mais de um milhão de estudantes e 80 mil professores nas escolas públicas da cidade.

Este ano, o prefeito Bloomberg cantou vitória porque houve grandes progressos nos testes obrigatórios de inglês e matemática.

Em algumas escolas, houve mudanças, e o sucesso pode ser atribuído à melhor qualidade ou maior dedicação dos professores, mais verba e alterações no currículo.

Em algumas escolas, não houve nenhuma mudança e, mesmo assim, os alunos deram um salto nos testes. A explicação é simples: testes mais fáceis.

Numa escola onde 90% das crianças são latinas e pobres, só 30% conseguiram passar no teste de inglês do ano passado. O texto, sobre uma família a caminho do oeste, tinha 451 palavras e era no vernáculo de 1850.

O deste ano só tinha 188 palavras e era sobre um dia na vida de uma lontra.

Uma frase típica dizia: a lontra de rio é ótima nadadora. Dez por cento dos alunos conseguiram ser reprovados.