20 de outubro, 2005 - 12h10 GMT (09h10 Brasília)
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, contou em entrevista exclusiva à BBC que já tentou contato com o presidente americano George W. Bush, com a ajuda do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Chávez afirma que se reuniu apenas uma vez com Bush.
"Estava no Canadá para a Cúpula das Américas. Meu amigo, Fernando Henrique Cardoso, me disse em uma conversa particular: ‘Bush não é (o ex-presidente americano Bill) Clinton, vamos fazer um esforço’", afirmou Chávez.
O presidente da Venezuela contou que os dois foram juntos para se encontrar com George W. Bush.
"Apertamos as mãos. Disse a Bush que falava pouco inglês, mas lembrei algumas palavras e falei com muita sinceridade: ‘Quero ser seu amigo.’ Lembro-me que ele me respondeu: ‘Eu também.’"
Mas Chávez acrescenta que a amizade com George W. Bush não foi possível.
"Acredito que seja impossível. Acho que ele (George W. Bush) tem uma grande confusão mental, muitos complexos e não entende a humanidade. Faz falta um novo presidente dos Estados Unidos que entenda a humanidade, que seja humano", afirmou o venezuelano.
Chávez assumiu a Presidência em 1998, quando Fernando Henrique Cardoso ainda estava no poder.
Bill Clinton
Na entrevista, presidente venezuelano criticou o governo americano atual e lembrou que seu relacionamento com o ex-presidente Bill Clinton era bem melhor.
"Temos um governo imperialista, que afirma lutar contra o terrorismo mas protege terroristas, que mente ao mundo. Com Clinton, nos reuníamos, dialogávamos sobre vários temas. Inclusive tínhamos opiniões diferentes, o que é válido entre governos", afirmou.
Chávez também não poupou críticas à chamada guerra contra o terrorismo dos Estados Unidos.
"Os Estados Unidos afirmam que lutam contra o terrorismo, mas já protegeram um grupo de terroristas. Um deles, o maior terrorista da história da América Latina, se chama Luís Posada Carrile. (...) É um terrorista condenado e que já confessou seus crimes. (…) Está nos Estados Unidos, já pedimos a extradição, mas a extradição não foi dada", afirmou.
A Venezuela pede a extradição do dissidente cubano, um ex-agente da CIA (agência secreta americana), pelo seu suposto envolvimento no ataque a um avião cubano que acabou com 73 mortos em 1976.
Um juiz americano negou a extradição afirmando que Carrile seria torturado na Venezuela, o que o governo venezuelano nega. Carrile foi preso nos Estados Unidos em maio, por tentar entrar ilegalmente no país e nega participação no ataque a ao avião.