http://www.bbcbrasil.com

14 de outubro, 2005 - 22h49 GMT (19h49 Brasília)

Adriana Stock
enviada especial a Salamanca, Espanha

Governo reage a comentários de Annan sobre corrupção

O secretário da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse nesta sexta-feira em Salamanca, na Espanha, que as denúncias de corrupção não estão afetando o desempenho do governo no campo social.

Garcia fez a declaração ao ser confrontado com o fato de o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, ter dito, em seu discurso na 15ª Cimeira Ibero-americana que a erradicação da pobreza passa necessariamente pelo combate à corrupção.

"O que isso tem a ver com a crise específica no Brasil? Todos os países hoje são afetados por problemas de corrupção. No caso do Brasil, o combate à pobreza não está sendo afetado pelas denúncias de corrupção", disse.

"A corrupção não é um ferrolho no Brasil. Ela não está travando as ações do governo. É um mal endêmico que tem de ser combatido. O governo não está paralisado em suas políticas públicas, mais particularmente nas políticas sociais, pelas denúncias de corrupção."

Lula participou do primeiro dia de reunião da Cimeira apenas como ouvinte.

Segundo a agenda oficial do evento, ele abriria nesta sexta-feira a sessão de trabalhos que vai discutir a projeção internacional da comunidade ibero-americana internacionalmente. Mas o grupo de trabalho foi transferido para sábado.

"Que crise?"

Perguntado se o presidente Lula havia abordado em algum momento a crise política no Brasil, Garcia brincou: "Que crise?"

"Era só o que me faltava o presidente vir a Salamanca para falar de crise política no Brasil", disse.

Garcia adiantou aos jornalistas alguns assuntos que o presidente vai abordar em seu discurso.

Lula vai, por exemplo, "saudar" como "positivas" as propostas de redução dos subsídios agrícolas feitas pelos Estados Unidos e pela União Européia.

As reduções "não estão nas proporções que queremos mas destravou um pouco tema dos subsídios, o que é imporante para chegar a um acordo na reunião de Hong Kong para concluir a Rodada de Doha", disse Garcia.

Washington disse estar disposto a reduzir em 60%, num prazo de cinco anos, a ajuda direta interna aos agricultores americanos.

Já os europeus haviam proposto uma reduçao de 70% das ajuda que a UE dá a seus agricultores.