30 de setembro, 2005 - 07h26 GMT (04h26 Brasília)
Outono, aqui, não é só para se deixar cair folha.
Com a proximidade da simpática estação, os partidos políticos britânicos mantém há décadas a tradição de se reunirem numa cidade balneária e, nela, torpedeando a possibilidade de qualquer turismo, reunirem-se, líderes e representantes, para discutirem o que passa por “momentosas questões”: uma forma de também deixar cair.
E tome discurso. A BBC dá ampla cobertura em seus dois canais abertos. Quem quiser conhecer Brighton, Blackpool, ou outro centro de atração à beira-mar plantado, além dos digníssimos representantes do povo, para não falar do próprio povo que neles vota, é só ligar o aparelho ou dar uma chegada aos, para mim, tristes balneários.
Em inglês, chamam de “conference” a esta congregação, ou assembléia livre, onde são discutidas as questões vitais de um partido. A bem dizer: como continuar no poder ou como a ele chegar.
Trata-se, na realidade, de mera convenção e, assim como aqueles a ela presentes, meros convencionais. Mais uma convenção britânica. Feito a mudança da guarda em frente ao Buckingham Palace.
E tome discurso. No encerramento, o líder do partido vai e faz seu discurso que é sempre discurso-chave, como foi o de Tony Blair na semana que passou.
Segunda-feira, começa a convenção, ou conferência dos Conservadores, destinada a negar e repudiar toda e qualquer realização do governo, à exceção da invasão do Iraque, com a qual a bancada em peso concordou.
O único partido que não concordou foi o dos Liberais Democratas, que já teve sua convencional conferência, solenemente ignorada por quase todo mundo, inclusive (e exagero) convencionais e cidadãos da cidade balneária de que foi … quase que digo vítima.
De resto, vale quase tudo. A história do país, no entanto, não registra um único ato ou pronunciamento em convenção que tenha tido repercussão ou efeito nacional.
A não ser a dos conservadores, em 1984, quando o Exército Republicano Irlandês detonou uma bomba no hotel de Brighton onde se achava hospedada não só a então primeira-ministra Margaret Thatcher, seu gabinete e os jornalistas de sempre.
Mas essa é a exceção que confirma a regra.