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25 de setembro, 2005 - 17h03 GMT (14h03 Brasília)

Laura Cassano
de Washington

Palocci: Perdão de dívidas deve ser custeado por ricos

O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, disse que os países em desenvolvimento não devem ser chamados a arcar com parte dos custos adicionais gerados pelo cancelamento da dívida proposto pelo G8.

A afirmação foi feita durante intervenção oral no Comitê de Desenvolvimento do Banco Mundial, neste domingo, em Washington.

Palocci ressaltou a preocupação do Brasil de que a distribuição dos encargos para cobrir os custos do cancelamento da dívida junto às instituições financeiras credoras, as IFIs – FMI, Bird e Banco de Desenvolvimento Africano – seja feita de acordo com os parâmetros de Monterrey.

Esses parâmetros definem responsabilidades diferenciadas entre as diferentes classes de atores envolvidos.

"Ao prevalecer o espírito de Monterrey, os países em desenvolvimento não devem ser chamados a arcar com parte dos custos adicionais gerados pelo cancelamento da dívida, haja vista a necessidade de se combater a pobreza nesses próprios países", afirmou.

Pobreza

No discurso, o ministro disse que a iniciativa dos países mais industrializados do mundo, mais a Rússia, de perdoar a dívida multilateral pode vir a ser um passo importante.

"O perdão da dívida contribui com o esforço dos países pobres altamente endividados no próprio combate à pobreza e com vistas ao cumprimento dos Objetivos do Milênio."

Palocci deixou claro que o Brasil apóia resolutamente a idéia.

Mais do que isso, disse que o país está envolto em seus próprios desafios de combate à pobreza.

"Já perdoamos cerca de US$ 3 bilhões de dívidas bilaterais de países em desenvolvimento, principalmente na África e na América Latina", afirmou Palocci.

Mas o ministro ponderou que ainda é preciso resolver problemas concretos que persistem para implementar esta idéia, de forma a maximizar seu efeito sobre o crescimento duradouro dos países mais pobres.

Palocci defende que a integridade das IFIs seja assegurada.

O objetivo seria evitar que a continuidade das transferências multilaterais para esses mesmos países no longo prazo seja ameaçada.