25 de setembro, 2005 - 00h47 GMT (21h47 Brasília)
Laura Cassano
de Washington
O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou neste sábado que terá até o final do ano para apresentar um plano de cancelamento integral da dívida externa de países altamente endividados.
Desde a última reunião do G-7, realizada em julho, em Gleneagles, na Grã-Bretanha, os sete países mais industrializados do mundo já haviam concordado com o cancelamento da dívida.
Mas até agora não havia sido estabelecido um prazo para que esta iniciativa fosse concretizada.
Os países-membros das instituições multilaterais com as quais estes países estão endividados – FMI, Banco Mundial e Banco de Desenvolvimento Africano – terão até o final de 2005 para aprovar em plano doméstico o perdão das dívidas.
Alguns dos países credores, como os Estados Unidos, por exemplo, têm restrições internas a mecanismos de perdão de dívidas.
Uma decisão neste sentido precisaria ser aprovada pelo Congresso americano.
Valores
Entre os 18 países que seriam beneficiados imediatamente pela iniciativa há três latino-americanos: Bolívia, Honduras e Nicarágua.
O Fundo vai disponibilizar US$ 4 bilhões para o financiamento da dívida destes países, o equivalente a US$ 390 milhões por ano ao longo de dez anos.
Além destes, outros 20 países, em sua maioria africanos, também podem vir a ter suas dívidas externas perdoadas no futuro.
Após o encerramento da reunião do Comitê Financeiro e Monetário do FMI, neste sábado, em Washington, o ministro da Economia britânico, Gordon Brown, disse que o valor total que as três instituições multilaterias juntas vão disponibilizar para o perdão da dívida será de US$ 55 bilhões.
Caroline Green, da ONG Oxfam, elogiou a iniciativa do FMI.
Para a ativista, a iniciativa vai permitir que os recursos liberados sejam investidos em projetos de educação e saúde.
“Mas precisamos continuar de olho para ver se a promessa será mesmo concretizada”, disse.