20 de setembro, 2005 - 18h28 GMT (15h28 Brasília)
Denize Bacoccina
de Washington
Um economista do Banco Mundial disse nesta terça-feira que o Brasil obteve avanços na luta contra a desigualdade por causa dos investimentos em programas sociais, mas que ainda é necessário investir mais na qualidade do ensino.
Francisco Ferreira disse à BBC Brasil que programas de complementação de renda como o Bolsa Família, condicionados a fatores como permanência das crianças na escola, estão dando resultado.
No entanto, segundo ele, "é preciso complementar isso com políticas do lado da oferta educacional. Não adianta somente a criança ficar na escola, é preciso que a escola ensine mais".
"Houve melhoras no Brasil, mas elas são pequenas se comparadas ao que precisa ser feito", disse ele.
Ferreira fez as declarações durante a divulgação do relatório Eqüidade e Desenvolvimento do Banco Mundial, que ele ajudou a escrever.
Redirecionamento de gastos
O relatório afirma que a igualdade de oportunidades aumenta a possibilidade de crescimento econômico, à medida em que permite o aproveitamento de potenciais que de outra maneira seriam desperdiçados.
Além disso, o estudo do Banco Mundial afirma que as oportunidades são distribuídas de forma desigual entre os países do mundo e também para parcelas da sociedade dentro do próprio país, como é o caso do Brasil.
No caso específico do Brasil, um dos países com maior desigualdade de renda do mundo, Ferreira defendeu maior investimento em educação primária e secundária e o pagamento das universidades públicas, com a concessão de bolsas de estudos para quem não pode pagar.
"Se a lei de mercado funcionasse perfeitamente uma pessoa pobre com uma excelente idéia teria a oportunidade de tomar dinheiro no banco e mudar sua condição."
Como isso não acontece, explicou Ferreira, na prática milhões de pessoas em todo o mundo permanecem na pobreza, sem educação e deixam de contribuir para o desenvolvimento de seus países.
Michael Walton, co-autor do relatório Eqüidade e Desenvolvimento junto com Ferreira, completou dizendo que "se olharmos para todas as sociedades desenvolvidas, em algum momento elas adotaram políticas para promover a igualdade de oportunidades".