Há cinco anos, líderes mundiais se comprometeram a reduzir pela metade o número de pessoas sem acesso a água potável e instalações sanitárias - mas agora saneamento básico parece ser o "tema negligenciado" das Metas do Milênio.
É essa a opinião de Hilde Johnson, a ministra do Desenvolvimento Internacional da Noruega.
"O problema é que latrinas não são atraentes. Imagine ver pessoas nas ruas com cartazes dizendo 'Nós queremos latrinas', quando elas poderiam estar falando sobre Aids ou vacinas", afirma a ministra.
A ONU diz que 1,1 bilhão de pessoas em todo o mundo não têm acesso a água potável e que 2,6 bilhões não contam com condições de saneamento apropriadas.
Segundo um recente relatório da organização não-governamental WaterAid, se o nível de progresso atual for mantido, as metas de saneamento serão alcançadas em 2026, em vez de 2015, como estava estipulado.
De acordo com a entidade, o atraso irá provocar a morte de 10 milhões de crianças.
Atenção desviada
Segundo a ministra Hilde Johnson, está claro para onde a atenção da comunidade inernacional irá se voltar e em que resolverá investir dinheiro.
Ela afirma que o sucesso ou o fracasso das nações ocidentais em auxiliar países em desenvolvimento a obter saneamento básico pode ser determinante para a obtenção de outros Objetivos do Milênio, como saúde, educação e promoção da igualdade entre os sexos.
"No meio escolar, por exemplo, a ausência de banheiros decentes é um fardo maior para as meninas do que para os meninos", afirma.
Segundo a ministra, em países pobres, muitas vezes as meninas se sentem constrangidas quando estão menstruadas e evitam usar banheiros rudimentares, recorrendo, em vez disso, a arbustos. Isso as deixa, no entanto, expostas a estupros.
"É essa a principal razão pela qual a evasão escolar é maior entre meninas do que entre meninos."
Segundo a ONU, projetos hídricos recebem oito vezes mais verbas do que aqueles ligados a saneamento.