12 de setembro, 2005 - 19h06 GMT (16h06 Brasília)
Na luta contra o terrorismo, a mais recente arma é ficar sério, deixar os óculos caírem para a ponta do nariz e tomar cuidado com as sombras.
Esta é diretiva oficial do Ministério do Interior britânico e refere-se aos cuidados básicos para o cidadão que for tirar fotografia para o passaporte.
O passaporte britânico, válido para toda a União Européia, deverá ainda este ano ser completamente biométrico, ou seja, conterá as principais medidas do portador, seu padrão de voz, retina, geometria da mão e diversas outras além daqueles saudosos quesitos da filiação, nascimento, sexo, profissão etc.
Ele é tão moderno que é conhecido nos devidos meios como ePassaporte.
Chique e cheio de nove horas, sem dúvida, e com isso tudo vem certas obrigações. Essa da foto é um bom exemplo. Nas especificações do ministério do Exterior está lá com todas as letras: é ilegal sorrir na foto do documento.
O cidadão e a cidadã devem adotar a expressão mais séria possível. A guerra contra o terror exige mais do que sobriedade: exige a expressão severa.
O ministério – aqui conhecido como Home Office – especifica o que considera um “sorriso” ou “expressão divertida”: é quando a boca está ligeiramente aberta, curvada nos cantos para cima, mostrando um pouco dos dentes.
Para os servidores públicos que estudaram a questão, um sorriso dificulta o reconhecimento das expressões faciais de uma pessoa.
Outras recomendações: os olhos devem estar abertos e bem visíveis; óculos escuros de jeito nenhum; óculos normais o mais próximo possível da ponta do nariz; nada de reflexos nas lentes; iluminação a mais natural possível e, finalizando, chapéu não pode em hipótese alguma a não ser por motivos religiosos.
Quer dizer, Osama Bin Laden, se procurasse um fotógrafo de Oxford Street, poderia perfeitamente manter a cabeça coberta mas nunca exibir os dentes naquele sorriso bonachão que boa parte do mundo tanto admira e procura imitar.
De resto, a luta contra o terrorismo prossegue a largos passos biométricos.