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08 de setembro, 2005 - 19h03 GMT (16h03 Brasília)

Alastair Leithead

Bar enfrenta furacão e fica aberto 24 horas em Nova Orleans

O Johnny White’s é um bar que tem um lema: “nunca fechar”. O que se mostrou um desafio nos últimos dias – ele fica em Nova Orleans.

Pois com todos os horrores que se abateram sobre a cidade desde a passagem do furacão Katrina, o Johnny White’s continua sendo um dos poucos estabelecimentos que não pararam de funcionar.

Quatro de seus empregados resistiram à força do furacão e impediram que o bar fechasse pela primeira vez em 17 anos.

Durante a noite que o furacão chegou, eles realizaram a “festa do furacão” e, desde então, vêm trabalhando em turnos alternados para manter as portas abertas.

Apesar da falta de luz, de alguma maneira eles garantem que a cerveja esteja sempre gelada.

O Johnny White’s é uma instituição no bairro francês da cidade.

Quando fui lá, após a passagem do furacão, perguntei à garçonete como deveria fazer para usar o toalete – imaginando que, nas condições vigentes, a rua seria a opção mais provável.

“Eis a chave do banheiro”, disse ela. “Cuidado com o cadáver na escada.”

O cadáver na verdade era um sujeito apelidado de Squirrel, que havia sido banido de dentro do bar por ter se mostrado um pouco ruidoso quando os policiais baixaram por lá, e que naquele momento estava tirando uma soneca na escada.

Mas sua visão era muito mais agradável que as dos corpos que havia visto durante o dia enquanto navegava pelas ruas de Nova Orleans em um barco.

Esperança

Muita gente, apesar de todos os horrores, não quer ir embora de Nova Orleans, esperando que o nível da água em breve vai cair e tudo vai voltar ao normal.

A normalidade é o que as pessoas querem, e um dia normal no Johnny White’s é um em que ele fica aberto 24 horas.

Mas por quanto tempo suas portas vão continuar abertas? Como vai seguir cumprindo sua promessa de jamais fechar, se todo mundo recebeu a ordem de deixar a cidade?

Nova Orleans nunca mais voltará a ser a mesma.

Mas, nessa esquina boêmia, enquanto houver cerveja, haverá esperança.