06 de setembro, 2005 - 10h02 GMT (07h02 Brasília)
Jonathan Marcus
Um estudo publicado nesta terça-feira pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), com sede em Londres, diz que o Irã ainda precisaria de vários anos para conseguir desenvolver armas nucleares.
O instituto avaliou as atividades nucleares, químicas, biológicas e de desenvolvimento de mísseis de longo alcance do país, que recentemente retomou seu programa nuclear, apesar dos protestos da comunidade internacional.
O estudo, chamado Programas de Armas Estratégicas do Irã, diz que um enfrentamento diplomático do Irã com a União Européia e os Estados Unidos, que insistiram para que o país não reativasse seu programa, seria inevitável.
O Irã afirma que busca a tecnologia nuclear para alimentar seus reatores de geração de energia. Mas esse tipo de tecnologia poderia também permitir a obtenção de material físsil para uma bomba.
Barreiras técnicas
O Irã enfrenta duas grandes barreiras técnicas antes de poder desenvolver uma arma nuclear, de acordo com o relatório: em primeiro lugar, produzir suficiente material físsil e, em segundo, construir uma ogiva funcional.
O estudo traz poucas revelações sobre os potenciais dos programas químicos e biológicos do Irã.
Mas ele dá detalhes sobre o programa de mísseis de longo alcance, no qual diz ter havido avanços técnicos consideráveis nos últimos anos.
O Irã parece estar focado em ampliar seu sistema de mísseis Shahab-3, uma variação de um míssil norte-coreano, capaz de atingir alvos em Israel, na maior parte da Turquia e no sul da Rússia.
Contenção tensa
Embora leve em conta a história política e o progresso dos programas nucleares iranianos desde suas origens no final dos anos 1950, o documento não procura fazer uma análise das intenções políticas do Irã. O que importa para os especialistas em controle de armamentos é o quanto o Irã está avançado em seu objetivo de produzir e enriquecer urânio.
Segundo o relatório, o país reconheceu uma longa história de atividades nucleares não declaradas, por mais de 20 anos.
E é esse padrão de atividade que explica a exigência da União Européia, apoiada pelos americanos, de que o Irã deveria voluntariamente abrir mão de qualquer capacidade de enriquecer urânio.
Até agora, o Irã tem aceitado de bom grado algumas restrições temporárias em suas atividades por razões políticas. Mas os autores do estudo não estão otimistas sobre a continuidade dessa contenção.
A recente decisão do Irã de retomar a conversão de urânio ameaça ser levada ao Conselho de Segurança da ONU, num processo que poderia eventualmente levar a sanções contra Teerã.