29 de agosto, 2005 - 09h21 GMT (06h21 Brasília)
O carnaval de Notting Hill, assim como o nosso, começou modestamente.
Desde 1966, uma saída em dia feriado já existente para a comunidade caribenha, principalmente a de Trinidad, descansar das agruras do resto do ano e, com sua música – a tradicional steel band - e gente, comemorar a ensolarada ilha deixada para trás, trazendo um pouco de colorido para o verãozinho frouxo da ilha onde vieram em busca de uma vida melhor.
Enfileirados estes lugares-comuns, vamos logo ao que interessa, ao que importa: o negócio é, pelo menos durante um ou dois dias por ano, se pintar todo, homem ou mulher, botar roupas berrantes e desfilar pelas ruas rebolando e rindo à toa.
Uma steel band é composta de tambores de gasolina afinados a marteladas e não tem nada a ver com cuíca, reco-reco, tamborim ou pandeiro, mas, bem manejada, é páreo, faltando apenas alguém chegar e botar letra na matéria percussiva.
Teríamos, assim, mais ou menos, os calipsos-enredos.
Seria gozado se as letras tivessem conteúdo político-escapista, como – que eu me lembre – eram as de nossos sambas-enredos.
Um modo distraído para todo mundo, participantes e assistentes, de se esquecer do que restou, ou ainda está por vir, em matéria de tensões raciais.
Agora, em 2005, quando o carnaval de Notting Hill já se estabeleceu como evento artístico e cultural, conforme afirmam seus organizadores, o tema – olha o paralelo com nossas escolas – será "Unidade e Diversidade".
Há planos de expandir o carnaval e já se chegou a falar em levá-lo até o Hyde Park.
O prefeito Ken Livingstone é a favor. Residentes entre Notting Hill e o famoso parque discordaram.
A democracia, conhecida por sua unidade e diversidade, prevaleceu.
Devido à imensa preocupação com segurança, este ano, mais do que nunca, a polícia pretende manter aquilo que, mal traduzindo, eu gosto de chamar de "perfil alto".
Tudo bem, estamos aí, pena a ausência do lança-perfume, faço votos apenas de que não construam um Nottinghillódromo.