19 de agosto, 2005 - 10h09 GMT (07h09 Brasília)
Alessandro Pereira, primo de Jean Charles de Menezes, acusou nesta sexta-feira o chefe da Polícia de Londres, Ian Blair, de mentir e tentar esconder informações sobre a morte do brasileiro.
“Nós, da família, temos muitas perguntas a fazer. Por que Ian Blair parou a investigação? O que ele tentou esconder? Por que a polícia não atendeu ao pedido da polícia para fazer uma segunda autópsia?”, disse Pereira em uma declaração lida à imprensa.
Ele estava acompanhado por ativistas de direitos humanos que acompanham o caso de Jean. Um deles, Asad Rehman - que se identifica como representante do grupo Justice4Jean (ou "Justiça para Jean") -, sugeriu que Ian Blair deve renunciar ao cargo.
Contatada pela BBC Brasil, a assessoria de imprensa da polícia de Londres disse, porém, que Blair não pensa em renunciar e vem recebendo apoio para permanecer no cargo nas últimas semanas.
"Angústia"
"Eu e meus oficiais pensamos que o homem que morreu era um suicida, e nós estávamos no meio da maior operação antiterrorismo" da história da Grã-Bretanha, disse Blair em uma entrevista anterior à BBC na qual também afirmou que não tentou esconder fatos sobre o caso.
Na sua declaração, Pereira expressou a angústia da família de Jean em meio às informações desencontradas sobre o caso.
“Ian Blair nos deixou sofrer. Tivemos que ouvir mentiras e mentiras. Se fosse o filho de Ian Blair, ele não iria querer a verdade?”, disse Pereira..
“Queremos que os responsáveis sejam processados”, completou.
Nesta semana, o vazamento de documentos sobre as circunstâncias da morte de Jean Charles mostraram que várias versões iniciais sobre o caso estavam erradas.
De acordo com documentos apresentados pelo canal de televisão ITV, o brasileiro não teria corrido da polícia, não estaria usando com um casaco pesado nem teria feito nada de suspeito antes de ser morto.