18 de agosto, 2005 - 09h34 GMT (06h34 Brasília)
Advogados da família do eletricista brasileiro Jean Charles de Menezes, morto pela polícia de Londres no mês passado, se reúnem nesta quinta-feira com membros da comissão independente da polícia que investiga o caso.
O encontro foi acertado após a divulgação, pela rede de TV britânica ITV News, de informações das investigações sigilosas que contradizem a versão inicial da polícia para a morte de Jean na estação de metrô de Stockwell, em 22 de julho.
Os advogados querem que a Comissão Independente de Queixas sobre a Polícia (IPCC, na sigla em inglês), mostre a eles suas informações iniciais e os assegure de que a investigação segue seu caminho normal.
Os advogados da família de Jean pediram a renúncia do chefe da Polícia Metropolitana, Ian Blair, após a divulgação de informações de que ele teria tentado interromper a investigação.
A família de Jean diz que o atraso em iniciar o inquérito pode ter significado a perda de pistas importantes para o caso.
Contradições
A polícia havia dito ter pensado que Jean carregava uma bomba e estava pronto a se explodir no metrô porque estava usando um casaco pesado e correu ao ser abordado. Mas os documentos divulgados indicam que esta informação era falsa e que ele havia sido dominado pelos policiais antes de ser atingido por oito tiros.
A morte de Jean Charles aconteceu no dia seguinte às tentativas frustradas de ataques a bomba no sistema de transporte de Londres e duas semanas após os ataques do dia 7 de julho, que mataram ao menos 56 pessoas.
A advogada Harriet Wistrich, uma das representantes da família de Jean, pede “a divulgação urgente de toda a verdade que envolve a morte de Jean Charles".
"O interesse público coincide completamente com os interesses da família. Desde o início, as mais altas autoridades da polícia e ministros do governo, incluindo o primeiro-ministro, afirmaram que a morte de Jean Charles foi um acidente infeliz, que ocorreu no contexto de uma política absolutamente legítima, justificável, dentro da lei e necessária."
"No contexto das mentiras reveladas agora, essas afirmações se tornaram ainda mais insustentáveis e até mais alarmantes. É inconcebível que os verdadeiros fatos, revelados ontem, não tenham sido comunicados às mais altas autoridades policiais e aos ministros imediatamente", disse a advogada num comunicado.
Os representantes da família de Jean Charles haviam pedido na quarta-feira a abertura de um novo inquérito sobre o caso – desta vez público e não sigiloso.