Andrea Wellbaum
A advogada britânica Gareth Peirce, que representa a família do eletricista Jean Charles de Menezes, pediu nesta quinta-feira a liberação de todas as informações sobre as circunstâncias da morte do brasileiro pela polícia britânica durante uma ação antiterrorismo em Londres, no último dia 22.
Duranmte a manhã, Peirce passou uma hora e meia reunida com representantes da Comissão Independente de Queixas sobre a Polícia (IPCC, na sigla em inglês), que investiga a ação policial, durante a qual pediu que eles investiguem o que exatamente aconteceu, por que aconteceu e por que as informações divulgadas esta semana não foram reveladas logo após a morte de Jean de Menezes.
A reunião foi convocada depois do vazamento de informações sobre as circunstâncias da morte de Jean de Menezes, que confirmam que ele não estava usando um casaco de inverno, não saltou a roleta do metrô e nem correu dos policiais, contrariando os comunicados da polícia à época da morte dele.
"A polícia disse que ele estava definitivamente ligado ao terrorismo, ele não estava; disse que ele usava um casaco de inverno, ele não usava; e disse que ele correu, o que ele também não fez", afirmou Peirce.
A advogada afirmou que soube de todos esses detalhes por meio da imprensa, já que a comissão independente que investiga o caso não repassa nenhuma informação privilegiada para seu escritório.
"Tudo isso é novo. Nós achamos que (quem quer que tenha vazado as informações para a imprensa) prestou um serviço público. Nós descobrimos a maior parte do que sabemos através da imprensa", disse ela.
"Assim que vimos as fotos do corpo de Jean Charles estirado no vagão do metrô, avisamos a família imediatamente que em pouco tempo elas estariam sendo veiculadas na imprensa do mundo todo."
Informações erradas
"(A ação da polícia) foi caótica. Nós pedimos à comissão que investigue o quanto foi incompetência, negligência" e o que poderia ser interpretado como "intencional".
"Existem muitas mentiras que foram contadas e permitiu-se que várias permanecessem durante muito tempo em circulação", disse Peirce.
Ela também disse que comunicou à comissão sua profunda insatisfação com o modo como o processo está sendo levado.
"Queremos que a investigação não seja adiada, nem estendida. Não vemos razão para que o processo não possa ser rápido."
Com base em sua experiência como advogada criminal, Peirce afirmou ter conhecimento de que é "totalmente viável as investigações e decisões ocorrerem de forma rápida".
Muitas das perguntas feitas por ela e por sua colega Harriet Wistrich durante a reunião ficaram sem resposta, afirmou a advogada.
Uma delas foi por quê a comissão começou as investigações do caso com dias de atraso quando elas deveriam ter começado no primeiro instante depois dos tiros disparados em Jean Charles.
A defesa da família afirma que muitas evidências importantes podem ter sido perdidas por causa disso.
Peirce disse ainda que a política de "atirar para matar" adotada pela polícia está no centro de um debate público e que este debate, até agora, estava baseado em premissas não verdadeiras.
Segundo ela, "o debate tem de ser baseado em fatos verídicos e isso só será possível se o inquérito se tornar público".
A advogada também revelou que a família do eletricista deve chegar à Grã-Bretanha na semana que vem para acompanhar as investigações sobre as circunstâncias da morte dele.
Depois da chegada dos pais e do irmão de Jean Charles seria realizada outra reunião com a Comissão Independente de Queixas sobre e Polícia.
A representante do IPCC que participou da reunião desta quinta-feira não quis falar com a imprensa depois do encontro e limitou-se a dizer que está ansiosa para que os familiares do eletricista cheguem logo à Grã-Bretanha.