17 de agosto, 2005 - 18h28 GMT (15h28 Brasília)
Guila Flint
de Tel Aviv
A retirada dos assentamentos na Cisjordânia poderá ser mais difícil do que a que está ocorrendo na Faixa de Gaza, acreditam analistas militares israelenses.
Eles dizem que a retirada dos assentamentos no norte da Cisjordânia pode ser ainda mais complicada, principalmente, porque seria muito mais difícil para o Exército isolar essas áreas.
Isso significa que, ao contrário do que ocorreu em Gaza, milhares de colonos de assentamentos vizinhos poderiam facilmente se deslocar para esses assentamentos e participar da resistência.
O plano de retirada do governo israelense inclui, além dos 21 assentamentos
na Faixa de Gaza, quatro assentamentos no norte da Cisjordânia - Kadim, Ganim, Homesh e Sanur.
Logo depois de concluir a retirada da Faixa de Gaza, o Exército e a polícia de Israel deverão iniciar essa retirada na Cisjordânia.
Tratam-se de quatro assentamentos pequenos e isolados, na região da cidade palestina de Jenin, dos quais dois já estão vazios.
Em Ganim e Kadim moravam colonos seculares, que chegaram a um acordo com o governo, receberam uma indenização e já se mudaram para diversos locais dentro das fronteiras de Israel.
O problema é nos outros dois assentamentos: Homesh e Sanur. Eles abrigam colonos religiosos que pretendem resistir à retirada.
Esses colonos já receberam reforços de centenas de moradores de outros assentamentos na Cisjordânia que se mudaram para Homesh e Sanur para resistir. E podem receber mais apoio.
Daniela Weiss, uma destacada líder dos colonos, moradora do assentamento de Kdumim, na Cisjordânia, declarou que pretende participar da resistência à retirada de Homesh e Sanur.
"Todos os judeus devem se apegar com toda a força a cada grão de terra, pois cada grão de terra é sagrado, essa terra é nossa", disse Weiss.
Depois da retirada dos 25 assentamentos previstos no plano do governo de Israel, restarão cerca de 150 assentamentos na Cisjordânia, habitados por 250 mil colonos israelenses.