11 de agosto, 2005 - 22h01 GMT (19h01 Brasília)
Denize Bacoccina
de Washington
O depoimento do publicitário Duda Mendonça, que confirmou ter recebido dinheiro de caixa 2 em contas no exterior, foi ignorado pelos investidores internacionais.
O que movimentou o mercado nesta quinta-feira, e fez o dólar subir quase 3%, foi a aprovação do salário mínimo pelo Senado e o leilão de compra de dólares promovido pelo Banco Central.
"O mercado sabe que o Brasil tem uma longa história de corrupção e isso não deixa ninguém chocado", afirmou o analista de Brasil da consultoria Idea Global em Nova York, Larry Krohn.
Já a interferência do BC no mercado de câmbio foi recebida com surpresa, segundo Krohn, que, no entanto, considera positivo o movimento em si de tentar empurrar para cima o dólar.
Popularidade
O estrategista de moedas estrangeiras do banco ABN-Amro em Chicago, Greg Anderson, concorda. “O mercado acredita que o Banco Central vai estabelecer um piso para o dólar entre R$ 2,30 e R$ 2,35”, afirmou.
Ele também diz que ninguém se importou muito com o depoimento de Duda Mendonça, porque as outras notícias sobre o Brasil têm muito mais importância.
“Só vai afetar a economia se a popularidade do presidente cair muito e ele tomar medidas populistas que coloquem em risco o equilíbrio fiscal por causa disso”, afirmou.
Krohn acha que a quantidade de notícias sobre a CPI é tão grande, que os investidores não as seguem de perto e não sabem avaliar o que é realmente importante.
“Talvez amanhã, quando a coisa tiver sido melhor interpretada”, possa haver algum impacto, afirmou.