10 de agosto, 2005 - 20h12 GMT (17h12 Brasília)
Paulo Cabral
Do Cairo
Depois de 20 anos morando em Dubai, um engenheiro egípcio volta para o Cairo e descobre que a embaixada de Israel se instalou no apartamento vizinho ao dele na capital egípcia.
Em torno disso se desenrola o filme A Embaixada no Prédio, um dos principais lançamentos do ano do prolífico cinema egípcio.
O engenheiro em questão é um grande mulherengo que sofre para atravessar a rígida segurança montada no prédio com as conquistas que quer levar para casa.
O protagonista – interpretado por Adel Imam, comediante sexagenário e uma das maiores estrelas do cinema egípcio – primeiro tenta se livrar do apartamento, mas não encontra comprador disposto a aturar os vizinhos.
Mas depois ele se envolve com uma bela ativista de esquerda e acaba – meio pela sedução feminina e meio por não agüentar mais os incômodos em casa – processando a embaixada e se tornando um símbolo da luta contra a normalização das relações entre árabes e israelenses.
Embora antigo, o tema é quente no Egito, já que os governos egípcio e jordaniano são os únicos entre as nações árabes a terem assinado tratados de paz e reconhecido formalmente a existência do Estado de Israel.
Mas, no filme, a embaixada reage fazendo um vídeo de um dos encontros amorosos do engenheiro e ameaçando desmoralizá-lo se ele não retirar o processo e aceitar que uma festa da embaixada seja promovida dentro do seu apartamento.
Durante a festa, no entanto, ele vê na televisão o enterro em Gaza de um menino palestino – que ele havia conhecido em Dubai e considerava como um filho – morto em uma ação de Israel.
O filme termina com o engenheiro expulsando a chutes os israelenses de sua casa e retomando a campanha nas ruas contra o Estado judeu.
Criticar Israel é sempre um tema popular entre árabes, e o filme vai longe, misturando algumas reclamações legítimas com ataques gratuitos.
O fime traz uma visão radicalmente anti-Israel, e a popularidade que ele tiver no mundo árabe – os filmes egípcios costumam ser amplamente distribuídos na região – vai poder ajudar a dar uma idéia sobre como estão os humores da população com os vizinhos israelenses, ainda longe de serem bem vistos no condomínio.