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03 de agosto, 2005 - 17h54 GMT (14h54 Brasília)

Irã volta a adiar retomada de atividade nuclear

O Irã anunciou nesta quarta-feira que deve adiar até o início da próxima semana a retomada de suas atividades nucleares, acatando um pedido feito pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ligada à ONU.

Os inspetores da AIEA argumentaram que precisariam de um prazo maior para instalar o equipamento que lhes permitiria monitorar a usina de Isfahan.

O principal negociador da questão nuclear do Irã, Hasan Rowhani, disse que o equipamento deve estar instalado "no início da próxima semana".

Teerã deseja a supervisão da agência internacional para que o resto do mundo acompanhe o processo de transformar o minério urânio em gás na planta de Isfahan – algo que o governo alega não fazer tecnicamente parte do processo de enriquecimento.

Inaceitável

Os três países europeus que discutem uma saída para o impasse nuclear iraniano, a Grã-Bretanha, a França e Alemanha, haviam pedido no final de semana para que o país não levasse adiante a decisão de retomar o processo nuclear antes de ouvir a proposta européia.

Eles haviam pedido para que o prazo dado por Teerã, esgotado no último domingo, fosse ampliado em uma semana. O Irã havia rejeitado o pedido.

Os europeus então disseram que a retomada das atividades causaria o fim das negociações e que eles poderiam levar o caso ao Conselho de Segurança da ONU para possíveis sanções.

O Irã rebateu as ameaças como inaceitáveis.

O novo adiamento anunciado nesta quarta-feira, no entanto, pode acalmar um pouco as tensões entre o Irã e a União Européia.

Temporária

Enquanto joga com prazos no campo diplomático, o novo governo do Irã, que tomou posse nesta quarta-feira com o presidente Mahmoud Ahmedinejad, mantém um discurso duro.

Visto como "linha dura", ele já se manifestou a favor da manutenção do programa nuclear iraniano.

Em seu discurso de posse ele defendeu a eliminação das armas de destruição em massa "que estão nas mãos dos imperialistas”.

O Irã suspendeu completamente a conversão e as atividades de enriquecimento de urânio em novembro de 2004, depois de muita pressão internacional.

Porém, Teerã sempre fez questão de deixar claro que a suspensão é temporária por considerar que a busca de energia nuclear é legal.