29 de julho, 2005 - 10h18 GMT (07h18 Brasília)
Richard Black
O novo acordo sobre clima, proposto pelos Estados Unido e assinado na quinta-feira no Laos como uma alternativa ao protocolo de Kyoto, dividiu especialistas.
Alguns elogiam o fato de os Estados Unidos, que não ratificaram Kyoto, terem conseguido liderar um acordo e ainda levar consigo países como Austrália (que também não ratificou Kyoto) e países em desenvolvimento como a China e a Índia.
Mas outros acham que o novo acordo climático é uma "tentativa dos Estados Unidos tirarem a atenção de seus altos índices de emissões de gases de efeito estufa, investindo mais em novas tecnologias e não na diminuição das emissões", como expressou a especialista em mudanças climáticas Jacqueline Karas, da Chatam House em Londres.
Além dos Estados Unidos, participam do acordo China, Austrália, Índia, Coréia do Sul e Japão. Juntos, esses países são responsáveis por cerca da metade das emissões de gases de efeito estufa do mundo.
Metas individuais
A iniciativa visa reduzir as emissões dos gases de efeito estufa, mas focaliza também no desenvolvimento de tecnologias mais limpas. Ao contrário de Kyoto, o acordo não é compulsório, permitindo que cada país fixe suas metas individuais de redução dos gases.
Enquanto ministros dos Estados Unidos e da Austrália celebram o novo pacto, cujos detalhes devem ser acordados em uma reunião na Austrália ainda este ano, os europeus demonstram-se mais céticos.
Um dos maiores defensores do Protocolo de Kyoto, a União Européia (UE) acredita que acordos do clima não podem funcionar dessa maneira: eles precisam ser compulsórios e mandatórios, estabelecendo metas claras de redução.
“(O pacto Ásia-Pacífico) não substitui acordos como o protocolo de Kyoto e não esperamos que ele tenha um impacto claro sobre as mudanças climáticas”, disse à BBC Barbara Helferrich, porta-voz para o Meio Ambiente da Comissão Europeia.
O fato é que, no fim de novembro, mais de 200 países do mundo participarão de uma reunião em Montreal, no Canadá, para novamente discutir as mudanças climáticas.
A expectativa é se o novo acordo vai realmente conseguir engajar os países ou se vai dividir ainda mais os pró e contrários a Kyoto em um bloco.
“O que é diferente e perturbador neste acordo é a tentativa de se organizar um bloco de países em desenvolvimento, incluindo a China e a Índia, o que pode formar um bloco de oposição”, acredita Philip Clapp, presidente da National Environmental Trust em Washington.
Mas Jacqueline Karas vê uma luz no fim do túnel. Para ela, o desenvolvimento de novas tecnologias pelo acordo, mesmo que ocorra daqui a 30 anos, pode ser benéfico para o clima de uma forma geral.