28 de julho, 2005 - 14h41 GMT (11h41 Brasília)
O IRA, o Exército Republicano Irlandês, anunciou formalmente nesta quinta-feira o fim de sua campanha armada e a decisão de lutar por seus objetivos apenas por meios políticos.
Num comunicado que vinha sendo aguardado há muito tempo, a organização anunciou que vai seguir o "caminho democrático", pondo fim a mais de 30 anos de violência.
O comunicado afirma que a decisão entra em vigor a partir da tarde desta quinta-feira e que todas as unidades da organização foram ordenadas a depor suas armas.
Voluntários do IRA foram instruídos a ajudar no desenvolvimento do que a organização chamou de programas "puramente políticos e democráticos".
O primeiro ministro britânico, Tony Blair, disse que o comunicado do IRA marca o dia em que "a paz finalmente substituiu a guerra e a política substituiu o terror" na Irlanda do Norte.
Blair afirmou que a declaração do IRA é "de uma importância inédita, diferente de tudo que foi feito antes".
Mas Ian Paisley, líder do Partido Unionista Democrático, principal partido político protestante da Irlanda do Norte, disse que vai julgar a declaração do IRA nos próximos meses e anos, acrescentando que, na última década, a Irlanda do Norte já presenciou várias "declarações históricas" do grupo.
Debate
A decisão de depor as armas foi tomada depois de um debate dentro do próprio IRA, provocado pelo presidente do Sinn Fein (o braço político da organização), Gerry Adams, para que a organização lutasse por seus objetivos exclusivamente por meios políticos.
O IRA é responsabilizado por cerca de 1,8 mil assassinatos nos últimos 30 anos.
Quando fez o apelo à organização, em abril passado, Adams disse que se tratava de uma "tentativa genuína de levar o processo de paz adiante".
O IRA luta pelo fim da presença britânica na Irlanda do Norte, que levaria a uma Irlanda unida.
Na declaração desta quinta-feira, o IRA também lida com a questão da entrega de suas armas, um dos pontos que vinha complicando o processo de paz na Irlanda do Norte.
O grupo afirma que quer colocar suas armas fora de uso o mais rápido possível. Um representante do IRA vai trabalhar com o órgão internacional que fiscalizará a entrega das armas.
Segundo a declaração, o IRA também vai convidar testemunhas independentes entre católicos e protestantes para tomar parte do processo.