23 de julho, 2005 - 21h39 GMT (18h39 Brasília)
A polícia britânica descreveu como uma "tragédia lamentável" a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes no metrô de Londres na sexta-feira, por suspeita de envolvimento com os recentes ataques na cidade.
Segundo a Scotland Yard, Menezes foi visto saindo de uma casa que estava sendo investigada em conexão com as explosões da última quinta-feira na capital britânica.
Além disso, a polícia afirmou que o brasileiro estava agindo de "maneira suspeita".
No início da tarde, sem ainda identificar o brasileiro, a polícia já havia admitido que o homem morto não estava ligado às explosões da quinta-feira, contrariamente ao que foi anunciado na sexta-feira.
'Necessária'
A Scotland Yard chegou a divulgar um comunicado que dizia: "O fato de alguém perder sua vida em circunstâncias como essas é uma tragédia, a qual a Polícia Metropolitana de Londres lamenta", diz o texto.
Pouco depois, o prefeito de Londres, Ken Livinstone, disse que a polícia agiu da "maneira necessária" para proteger a população.
"Essa tragédia só vem adicionar mais uma vítima ao total de mortes pelas quais os terroristas são responsáveis".
A organização de defesa dos direitos humanos britânica Liberty pediu uma investigação completa do caso.
À queima-roupa
Menezes, de 27 anos, foi morto à queima-roupa por policiais à paisana na estação de metrô de Stockwell, no sul da capital britânica.
A morte do brasileiro foi confirmada pelo consulado brasileiro em Londres.
Um primo de Menezes, Alex, fez a identificação do corpo por volta das 18h30 (hora local, 14h30 em Brasília).
Segundo ele, Menezes vinha de Gonzaga (MG), morava na Grã-Bretanha há três anos e trabalhava como eletricista.
As explosões de quinta-feira atingiram três estações de metrô e um ônibus em Londres, sem deixar vítimas.
A polícia está investigando se há ligações entre esses ataques e os que mataram pelo menos 56 pessoas no dia 7 de julho.