20 de julho, 2005 - 21h47 GMT (18h47 Brasília)
A corrupção na Rússia saiu do controle e o Estado é o "maior mafioso do país", segundo o Indem, respeitado centro de estudos russo.
O Indem diz que a economia subterrânea é duas vezes maior do que o orçamento público.
O relatório anual do centro de estudos diz que o suborno pago por empresários a autoridades pode ter aumentado até dez vezes só nos últimos quatro anos.
Segundo o centro, o valor total desse tipo de pagamentos ilegais corresponde a 2,5 vezes o valor do orçamento público.
O centro de estudos sugere que qualquer interação entre cidadãos e a burocracia estatal envolve, inevitavelmente, corrupção na forma de pagamento de suborno.
'Visão mitológica'
Um grande empresário russo questionou a metodologia do Indem, sugerindo que o aparente aumento em suborno pode ser resultado da inflação.
Mesmo esse empresário, porém, reconhece que a corrupção é um fato tão "normal" que os empresários russos pagam sem sequer questionar por que eles deveriam fazer isso.
O relatório também descreve o que chama de "visão mitológica da corrupção" na Rússia, e demole a visão geral de que a Rússia era mais corrupta no período em que Boris Yeltsin foi presidente.
O instituto indica ainda que os russos, ao contrário da maioria dos especialistas, acham que a corrupção não está ligada a falhas nas instituições ou falta do Estado de direito, mas a cobiça e simples criminalidade.
O Indem é uma organização de pesquisa não-comercial, independente, fundada pelo ex-assessor de Yeltsin Georgiy Starov.
Exército
Entre as instituições mais corruptas, segundo o relatório, está o sistema de educação e o Exército na Rússia.
Os pais precisam comprar um lugar para os filhos nas universidades, de acordo com o Indem.
No Exército, segundo o texto, os jovens e suas famílias pagam para evitar o serviço militar.
O relatório diz, porém, que há sinais de que o suborno no serviço de saúde e na política de trânsito está em queda.