18 de julho, 2005 - 13h06 GMT (10h06 Brasília)
A Grã-Bretanha ficou mais vulnerável a ataques terroristas depois de ter apoiado militarmente os Estados Unidos na invasão do Iraque e do Afeganistão, aponta um documento feito pelo Conselho de Pesquisa Econômica e Social e pela Chatham House, instituto britânico que estuda polícias externas e goza de grande respeitabilidade no país.
A conclusão do documento Segurança, Terrorismo e a Grã-Bretanha, publicado nesta segunda-feira, foi imediatamente rejeitada pelo governo do primeiro-ministro Tony Blair.
O ministro da Defesa, John Reid, disse, em entrevista à BBC, que o terrorismo é um problema internacional e que a idéia de que a Grã-Bretanha estaria mais segura se não confrontasse as ameaças de atentados "é refutada pelas evidências históricas".
"Eu não aceito quando o relatório diz que nós nos tornamos mais em um alvo por causa do envolvimento no Afeganistão e no Iraque e nossos esforços para lidar com a Al-Qaeda, de que existe uma outra alternativa que é mais fácil e melhor", afirmou Reid.
Mas o professor Paul Wilkinson, um dos autores do levantamento, discorda: "Nós temos dúvidas de que a Grã-Bretanha estava na lista de alvos antes da invasão do Iraque. No entanto, se olharmos para o processo do conflito no Iraque, podemos ver que a Al-Qaeda explorou o conflito na extensão máxima e acreditamos que os resultados têm sido um empecilho no conflito contra a Al-Qaeda".
'Passageiro'
O estudo do Conselho de Pesquisa Econômica e Social e da Chatham House tem apenas oito páginas mas contém afirmações polêmicas.
Ele diz que o principal problema da Grã-Bretanha é que o país assumiu a "posição de passageiro" na luta contra o terrorismo deixando os Estados Unidos na liderança.
O texto argumenta que "a atividade terrorista islâmica não recebeu uma prioridade apropriada até o final dos anos 90" e que, por isso, grupos de militantes ativos em Londres foram deixados em "relativa impunidade".
Mas o levantamento elogia a colaboração entre agências e departamentos na Grã-Bretanha que, segundo o texto, têm "décadas de experiência com terrorismo relacionado à Irlanda do Norte".
Também é elogiada a criação do Centro de Análise de Terrorismo, após os atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos, que "provou ser uma inovação valiosa em avaliar ameaças à segurança da Grã-Bretanha".