15 de julho, 2005 - 10h54 GMT (07h54 Brasília)
O jornal espanhol El Mundo afirma nesta sexta-feira que, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assistia o desfile que comemorava a queda da Bastilha em Paris, “seu país seguia recordando a França jacobina”.
“As cabeças de figuras destacadas do PT e do governo não param de cair”, diz o diário madrilenho.
A afirmação é feita no principal editorial do dia, intitulado “A corrupção lança sombras sobre Lula”.
Na seção de notícias internacionais, o El Mundo relata a demissão do diretor-geral da Abin, Mauro Marcelo de Lima e Silva, com uma reportagem intitulada “A corrupção persegue Lula até Paris”.
Na própria França, o Libération diz que Lula vai fazer suas “compras de armas” em Paris.
O jornal diz que nesta sexta-feira o governo pode anunciar a compra de 12 caças Mirage “em oferta” – aviões que estão sendo usados no momento pela Força Aérea francesa.
Conselho de Segurança
O americano The New York Times diz que os planos para ampliar o Conselho de Segurança da ONU podem não dar em nada desta vez.
“Os quatro países que lançaram uma ofensiva diplomática conjunta por cadeiras permanentes no Conselho de Segurança da ONU – Brasil, Alemanha, Índia e Japão – estão enfrentando uma oposição inesperadamente forte”, diz a reportagem.
Os principais focos de resistência a poucos dias da votação na Assembléia Geral da ONU, segundo o jornal, são propostas alternativas apresentadas pela União Africana e por um grupo de países que inclui a Argentina.
E os Estados Unidos, continua o diário nova-iorquino, adotou nos últimos dias a posição de que a ampliação do conselho é “prematura” porque não há “consenso” sobre o que fazer.
Agroinfluência
Outro jornal americano, o The Miami Herald, afirma que “a fusão do agronegócio com a influência política foi central para a emergência do Brasil como uma potência agrícola”.
A afirmação é feita em reportagem sobre o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, intitulada “O rei da soja usa duas coroas”.
O jornal diz que o Brasil está ameaçando “a supremacia dos Estados Unidos na alimentação do mundo” e que os produtores americanos enfrentam “um país que não apenas ostenta baixos custos de produção e vastas reservas de terra relativamente barata, mas também onde magnatas agrícolas como Maggi obtiveram amplo poder político”.
A reportagem termina com a observação de que Maggi recentemente ganhou um “terceiro título” em uma votação promovida pela ONG Greenpeace na internet: o de “rei do desflorestamento”.
Espanhol no Brasil
E o El País, de Madri, dedica um editorial à decisão do Congresso brasileiro de adotar o ensino de espanhol nas escolas secundárias.
A decisão é “uma magnífica notícia para a imensa comunidade de pessoas que falam espanhol em todo o mundo e no continente americano em particular”, opina o jornal, que arrisca uma previsão:
“O Brasil, um dos gigantes emergentes do novo século, com seu imenso potencial econômico e seus 189 milhões de habitantes, dos quais 60 milhões são jovens, previsivelmente terá, em uma década, uma nova geração de estudantes que será praticamente bilíngüe”.
O editorial termina celebrando o possível aumento da cooperação do Brasil com a Espanha, “onde este grande país está cada vez mais presente e cujo futuro como potência política, econômica e cultural ninguém coloca em dúvida”.