13 de julho, 2005 - 15h02 GMT (12h02 Brasília)
Daniela Fernandes
de Paris
Tarso Genro, novo presidente do PT e ministro da Educação até o dia 27, disse nesta quarta-feira em Paris que o partido vai trabalhar para criar um novo modelo de desenvolvimento econômico.
Segundo Genro – que está em Paris acompanhando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva –, isso não significa romper com a linha atual da política do governo.
"Nós vamos trabalhar pegando a rigidez macroeconômica e, a partir disso, vamos projetar um outro modelo de desenvolvimento econômico", disse.
Genro disse também que na próxima terça-feira a Executiva nacional do partido se reunirá para avaliar os resultados de uma investigação preliminar sobre denúncias de corrupção envolvendo o PT.
Segundo o presidente do PT, "não é improvável que haja uma auditoria interna, caso tenhamos alguma dúvida".
"Os contratos não tinham o rigor que deveriam ter tido", acrescentou.
Tarso Genro afirmou ainda que é preciso separar as relações entre o PT e o governo.
"Vamos reformar o PT. Estabelecer uma relação nova", disse ele após a palestra do presidente Lula na Universidade da Sorbonne.
Fuso horário
A palestra sobre a política externa brasileira foi o primeiro compromisso do presidente, que fica três dias em Paris para participar das comemorações do Ano do Brasil na França.
A Universidade realizou um seminário com o tema Brasil Ator Global, cujos debates começaram na terça-feira.
Antes de começar o discurso, Lula disse que ainda estava no fuso horário de Brasília (cinco horas a menos do que em Paris) e que não consegue dormir em aviões.
Lula passou a noite no avião e chegou no início desta manhã à capital francesa.
O presidente falou durante 35 minutos para uma platéia de pesquisadores, acadêmicos e alguns estudantes.
Em seu discurso, ele insistiu em temas que já vem abordando em outras viagens internacionais.
Lula falou sobre a maior aproximação entre o Brasil e os países emergentes que vem sendo realizada e também do reconhecimento internacional que o G-20, grupo de países emergentes liderados pelo Brasil, passou a ter.
Ele voltou a criticar os subsídios que os países ricos concedem a seus produtores.
Para o sociólogo francês Alain Touraine, amigo do ex-presidente Fernando Henrique, os escândalos de corrupção do PT não comprometem a imagem de Lula no plano internacional.
"Lula é o único a ser uma ponte entre os países do norte e do sul. Isso é um privilégio", afirmou o sociólogo francês, que assistiu à palestra do presidente.