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09 de julho, 2005 - 07h17 GMT (04h17 Brasília)

Jonathan Beale
de Washington

Análise: Na Ásia, Rice tenta avanços em crise norte-coreana

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, faz neste fim de semana a sua segunda visita ao leste da Ásia em seis meses.

A visita não é apenas um reconhecimento da crescente importância da China, mas também um indício da frustração de Washington com a falta de progresso nas tentativas de convencer a Coréia do Norte a voltar às negociações sobre o seu programa nuclear.

Três dos quatro países que Rice vai visitar – China, Japão e Coréia do Sul – estão envolvidos nas negociações multilaterais com os norte-coreanos.

Faz mais de um ano que essas negociações fracassaram. Desde então, Pyongyang confirmou que detém ogivas nucleares – daí a urgência de retomar o diálogo.

Influência chinesa

Washington acredita que Pequim deveria estar usando mais da sua influência econômica e política junto à Coréia do Norte.

"Nós achamos que a China pode fazer mais para eliminar o programa de armas nucleares", afirmou o diplomata responsável pelo controle de armas no Departamento de Estado, o subsecretário Robert Joseph.

Washington precisa da China como mediadora porque as suas próprias relações com Pyongyang são ruins.

Um encontro entre autoridades americanas e norte-coreanas no mês passado na sede da ONU em Nova York parece ter produzido poucos avanços.

Os Estados Unidos suavizaram a retórica contra a Coréia do Norte desde que Pyongyang deu indicações de que poderia voltar às negociações.

No entanto, a Coréia do Norte ainda precisa fixar uma data e Condoleezza Rice deixou aberta a opção de levar a crise em torno do programa nuclear do país ao Conselho de Segurança da ONU.

Ainda assim, ela dificilmente conseguiria apoio para isso e, portanto, precisa da pressão chinesa.

EUA e China

O problema é as relações entre Estados Unidos e China enfrentam as suas próprias dificuldades.

Na sua última visita a Pequim, a secretária de Estado americana manifestou preocupação com o poderio militar chinês e apelou para que o país atue como uma "força positiva" na região.

Somado a isso, o Congresso americano deixou claro o seu desconforto com o aumento da influência econômica da China.

Os parlamentares estão preocupados com a oferta da companhia chinesa CNOOC para comprar a empresa de energia americana Unocal e com a entrada maciça de produtos chineses nos Estados Unidos.

Japão

Diante das dificuldades com a China, Condoleezza Rice encontrou no Japão o seu mais importante aliado na região.

A lealdade de Tóquio foi recompensada com o apoio americano à candidatura japonesa a um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Nenhum outro país que pleiteia o privilégio recebeu o apoio de Washington.

A secretária de Estado está ciente de que precisa melhorar a imagem dos Estados Unidos no mundo.

A sua passagem por Phuket, na Tailândia, é uma prova disso. Rice quer chamar atenção para os esforços feitos pelos Estados Unidos na reconstrução pós-tsunami do sudeste asiático.

Essa ajuda, aliás, já parece estar rendendo frutos.

Uma pesquisa recente feita pelo Centro Pew, de Washington, mostrou que na Indonésia 79% dos entrevistados tinham uma idéia favorável dos Estados Unidos por causa da assistência prestada após a tragédia.

Portanto, a Tailândia deverá oferecer as imagens positivas desta viagem.

Mas Condoleezza Rice espera que dos seus encontros na China saia uma conquista política.