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07 de julho, 2005 - 22h30 GMT (19h30 Brasília)

Choro no quintal

NIMBY são as iniciais de "Not In My Backyard" que em português significa "Não no meu quintal". A expressão é antiga mas entrou no cotidiano americano na década de 80. Hoje é impossível viver sem NIMBY.

Por exemplo: quando o governo quer construir um novo centro de processamento de lixo: NIMBY, gritam os vizinhos.

Uma nova usina nuclear: NIMBY.

Casas para pobres: NIMBY. Centro de recuperação de drogados. NIMBY: Linhas de alta tensão: NIMBY. Estradas: NIMBY. NIMBY, NIMBY e mais NIMBY.

Nimbismo é a prática do NIMBY e seus praticantes são os nimbistas. A última grande manifestação de nimbysmo em Manhattan foi a rejeição da construção de um estádio de futebol num vasto projeto imobiliário – na beira do rio Hudson, um dos últimos espaços vazios da ilha.

Nesta semana foram os nimbistas do Brooklyn que botaram a boca no mundo quando foi anunciado o plano de construção de um estádio de basquete e 17 prédios de 40, 50 e até 60 andares numa das áreas mais decadentes do bairro. Serão mais de 20 mil metros quadrados de escritórios, parques e apartamentos para 15 mil pessoas.

O projeto de 3,5 bilhões de dolares é a maior construção imobiliária fora de Manhattan nos últimos 50 anos.

Os nimbistas dizem que vai congestionar a área, encarecer os aluguéis e transformar o Brooklyn em Manhattan.

Há duas semanas o Supremo Tribunal americano deu um chega pra lá no nimbismo quando aprovou a desapropriação de 15 casas numa cidade de Connecticut para a construção de um complexo imobiliário.

A decisão é extraordinária porque autorizou, com indenização, o confisco de propriedades privadas em benefício de investidores privados e não para interesses do Estado ou para uso público como acontecia.

Para os nimbistas americanos só resta chorar no quintal.