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07 de julho, 2005 - 21h52 GMT (18h52 Brasília)

Marcia Freitas
enviada especial a Gleneagles

EUA cedem e G8 chega a acordo sobre clima, diz Chirac

O presidente francês, Jacques Chirac, afirmou nesta quinta-feira que os líderes do G8 reunidos em Gleneagles, na Escócia, chegaram a um acordo para uma declaração final sobre como agir para conter o aquecimento global.

Chirac disse que foi possível chegar a um acordo devido a "uma mudança de atitude por parte dos Estados Unidos" em relação ao assunto.

O líder francês afirmou que o acordo "não avançou tanto quanto" ele gostaria, mas serviu para "restaurar o diálogo" entre os sete países do grupo que assinaram o Protocolo de Kyoto e os Estados Unidos, que rejeitam o tratado.

Segundo Chirac, a França havia imposto várias condições para que uma declaração conjunta fosse possível – entre elas, o reconhecimento de que o aquecimento global é causado pelo homem e de que é preciso uma ação "urgente" para combater o problema.

As declarações do presidente francês sugerem que essas condições devem estar refletidas no rascunho da declaração final, mas Chirac não deixou claro que tipo de ação por parte do G8 a declaração final vai conter.

'Alarme climático'

"Conseguir fazer com que (o presidente americano, George W.) Bush concorde que o aquecimento global está acontecendo e é provocado pelo homem não é o grande sucesso que está sendo passado à imprensa", disse Stephen Tindale, da Greenpeace.

O Greenpeace e outras organizações não-governamentais que enviaram delegações a Gleneagles afirmam que os líderes do G8 perderam uma oportunidade para estabelecer uma "agenda efetiva" de combate ao problema.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os líderes da Índia, China, África do Sul e México, participaram das reuniões sobre o assunto e entregaram um comunicado ao G8 em que pediram aos países desenvolvidos que liderem uma ação internacional para combater as mudanças climáticas.

Segundo o Greenpeace, os cinco enviaram uma "mensagem forte" sobre a necessidade de se melhorar o Protocolo de Kyoto e de que os países desenvolvidos compartilhem com os países em desenvolvimento uma tecnologia de energia sustentável.

Um dos únicos protestos programados para ocorrer nesta quinta-feira em toda a Escócia foi cancelado. Os integrantes da organização não-governamental ambientalista Friends of the Earth haviam convocado uma ação intitulada "alarme climático".

Sinos e alarmes em todo o país deveriam ser tocados ao mesmo tempo para, segundo a organização, "acordar o G8 para o fato de que o tempo para combater a injustiça climática está se esgotando". O evento, no entanto, foi cancelado depois dos atentados em Londres.