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07 de julho, 2005 - 13h06 GMT (10h06 Brasília)

Edson Porto

Londrinos encaram ataques como uma 'inevitabilidade'

Para o engenheiro Alan Smith, a única surpresa em relação à série de ataques que atingiu Londres na manhã desta quinta-feira foi ter demorado tanto para acontecer.

“Estou supreso que demorou tanto”, disse ele, enquanto tentava atravessar a cidade a pé para chegar a um compromisso.

Smith nasceu em Londres e viveu boa parte da vida na cidade, mas adotou o Canadá como nova casa.

Passando uma semana na capital britânica – “uma semana ruim” –, ele acredita que o motivo dos ataques está ligado ao apoio britânico aos americanos na guerra do Iraque. “A culpa é do apoio à guerra”, acredita ele.

Iraque

Para o consultor Paul Bellinger havia de fato uma sensação de “inevitabilidade” nos ataques.

“Apesar de termos um serviço de segurança muito bom, tínhamos a sensação de que algo assim poderia acontecer. Não temos como parar uma cidade por causa das ameaças.”

Bellinger não vê outra explicação para os atentados que não seja a participação dos britânicos na guerra do Iraque.

“Não vejo que possa ser outra a razão, embora seja cedo para dizer.”

Indo para casa depois que a loja em que trabalha – no centro da cidade – foi fechada, a vendedora de origem francesa Mélanie Lesieur disse que está feliz porque vai voltar para Paris na semana que vem.

“Acho que vou estar mais segura lá, porque a França não apoio a guerra.”

Ela está fazendo um estágio em uma loja da capital britânica por dois meses que se encerra na semana que vem.

Para sua colega, a nigeriana que mora em Londres há 15 anos, Abi Lgbinijesu, o timing do ataque pode ter tido alguma relação com o fato de a cidade ter sido escolhida para sediar as Olimpíadas de 2012, justamente vencendo Paris.

“Eles querem mostrar que Londres é vulnerável, mostrar que não haverá como evitar que algo assim aconteça nas Olimpíadas.”