04 de julho, 2005 - 13h05 GMT (10h05 Brasília)
Andrea Wellbaum
de Faslane, Escócia
Ao som de batucada de samba, reggae e hinos socialistas, centenas de pessoas participam, nesta segunda-feira, de uma manifestação pacifista que bloqueia os portões de entrada da Base Naval Clyde, a maior base militar da Escócia.
Por enquanto, o protesto é pacífico e bem humorado e está atingindo seus objetivos, já que os funcionários do turno da manhã deveriam ter entrado entre 7h30 e 8h30, horário local, mas não apareceram.
A base fica em Faslane, a 90 km de Gleneagles, onde vão se reunir os chefes de Estado e de governo do G-8 (grupo dos sete países mais ricos do mundo e a Rússia), a partir de quarta-feira.
Os manifestantes chegaram à base por volta das 7h da manhã, horário local, e pretendem ficar até por volta das 17h.
Todos eles defendem a mesma causa: são contrários ao militarismo e à produção de armas nucleares, e querem que o dinheiro gasto com isso seja utilizado para evitar futuros conflitos e pagar projetos de água tratada, assistência médica e educação aos países pobres e em desenvovimento.
Taças de champanhe
"Só queremos chamar a atenção para a hipocrisia do nosso programa de armas nucleares. Portanto, as pessoas estão vindo apenas para dizer chega de guerra", disse Elle Faye, integrante da G-8 Alternative, organização que lidera o protesto.
A manifestação é a oitava desse tipo na Base Naval Clyde.
A tática utilizada é sempre a desobediência civil: todos ficam sentados ou deitados em frente aos portões da base para impedir a entrada dos militares e funcionários civis.
Os policiais estão enfileirados, protegendo o portão da Base Naval, mas apenas observam a festa dos manifestantes.
Alguns protestos são bastante bem-humorados, como o de um grupo com um cartaz com os dizeres "Armas nucleares são um luxo que não temos como pagar".
Os homens do grupo estão de terno e gravata e as mulheres, de vestido.
Eles abriram uma grande toalha de piquenique no chão e oferecem canapés e suco de laranja em copos de champanhe aos outros manifestantes.
Logicamente, sempre há alguns exaltados, como o manifestante que escalou a cerca e permaneceu sentado em cima do arama farpado, estimulando os demais a fazerem o mesmo.
Ele acabou atraindo um grupo grande de pessoas, forçando parte dos policiais a saírem do portão e ficarem a sua volta, esperando que ele desça.