30 de junho, 2005 - 20h30 GMT (17h30 Brasília)
Os neandertais, "parentes" próximos do homem moderno que desapareceram há cerca de 30 mil anos, tinham a sua própria música e dança, afirmam cientistas da Universidade de Reading, na Inglaterra.
Steven Mithen, o autor da teoria, acredita também que os "homens das cavernas" gostariam de um tipo de música hoje parecida com o rap.
"As pessoas sempre pensam nos neandertais como brutos e mal-humorados, mas eles tinham uma noção forte de ritmo e música", diz o cientista, que escreveu um livro sobre o tema: Singing Neanderthals (Neandertais Cantantes, em tradução livre), que chega às lojas britânicas na semana que vem.
O pesquisador acredita que pela músicas os neandertais expressavam emoções como timidez, alegria e adoravam cantar em público.
"A música e a linguagem se desenvolveram juntas. Os neandertais tinham palavras e melodias com códigos diferentes das nossas, que não seríamos capazes de decifrar hoje em dia", afirma o cientista.
Análises
Para chegar a essa conclusão, Mithen analisou variadas fontes: desde estudos neurológicos, passando por psicologia infantil e sistemas de comunicação de primatas não-humanos, até as últimas evidências paleo-arqueológicas.
Segundo Mithen, que comparou por exemplo fósseis do crânio dos neandertais a crânios de macacos e outros primatas, a anatomia dos neandertais sugere uma habilidade de eles se comunicarem com ênfase e com melodia.
"Como os narizes desses hominídeos eram grandes, o som deveria sair bastante anasalado", diz o pesquisador. "Como viviam em cavernas, o canto serviria para unir o grupo".
"Eles não eram pessoas criativas, apenas dançariam e bateriam com partes do corpo no chão ou em coisas", diz o Mithen, sugerindo que os neandertais provavelmente gostariam do atual rap e afins.
Durante muitos anos a ciência acreditou que os neardentais eram ancestrais diretos do homem moderno.
Mas testes no DNA de fósseis mostraram que os neandertais se tratavam de uma espécie diferente.
Críticas
A teoria do pesquisador inglês já vem recebendo críticas no meio acadêmico.
Janet Monge, uma antropóloga do Museu de Arqueologia e Antropologia da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, garante que a fala e o canto acionam diferentes substâncias no cérebro.
Ela questiona como Steven Mithen conseguiu relacionar as duas coisas.
"Ligar o canto aos neandertais os tornam mais parecido com o homem moderno", diz a especialista, adepta da teoria que tratam-se de duas diferentes espécies.