29 de junho, 2005 - 15h28 GMT (12h28 Brasília)
Um relatório divulgado pela ONU estima que o mercado mundial de drogas movimenta cerca de US$ 320 bilhões.
O valor representa quase metade do PIB brasileiro (R$ 1,766 trilhão em 2004, segundo o IBGE) e é "maior do que o PIB individual de quase 90% dos países", observa o relatório.
O documento diz que cerca de 200 milhões de pessoas – 5% da população mundial com idade entre 15 e 64 anos – consumiram drogas pelo menos uma vez nos últimos 12 meses.
Quinze milhões de pessoas a mais utilizaram algum tipo de droga ilícita na comparação com o período anterior, confirmando a tendência de maior consumo de drogas.
"Esse não é um inimigo pequeno contra o qual lutamos", diz o diretor-executivo do Escritório da ONU para Drogas e Crimes, Antonio Maria Costa. "Esse é um monstro."
Maconha
A droga que registrou maior aumento em consumo foi a maconha, principalmente na Oceania, América do Norte e África.
O número de pessoas que consumiram maconha subiu de 146,2 milhões para mais de 160 milhões.
O levantamento diz que o uso de drogas sintéticas, como ecstasy, diminuiu, mas que o consumo de ópio, heroína e cocaína continuou a crescer.
No ano passado, o Afeganistão teria produzido 87% do fornecimento ilegal de ópio no mundo.
Brasil
O relatório informa que no Brasil 1% da população entre 12 e 65 anos consumiu maconha em 2001. Seria o país que menos consome maconha na América do Sul, embora os dados dos demais países da região variem no período da amostra.
O Brasil também teria registrado o quinto maior número de apreensões de maconha no mundo em 2003. Foram 166,264 toneladas ou 3% do total detido em 95 países pesquisados pela ONU.
México, Estados Unidos, Tanzânia e Nigéria tiveram mais apreensões da droga.
No levantamento deste ano, a ONU criou o Índice de Drogas Ilícitas (IDI), que combina três fatores: produção, tráfico e consumo.
No topo do ranking está o Oriente Médio/Sudoeste da Ásia, seguido pela América do Sul.
Tratando-se de produção, as duas regiões também ficam no topo da lista. No tráfico, Oriente Médio/Sudoeste da Ásia continua em primeiro lugar e, em segundo, fica a América do Norte. A América do Sul está em terceiro.
Na parte de consumo, porém, o ranking muda bastante. A América do Sul cai para o sétimo lugar, enquanto as primeiras posições são ocupadas por Leste Europeu, América do Norte e Oceania.