28 de junho, 2005 - 16h07 GMT (13h07 Brasília)
O diretor de jornalismo da TV venezuelana por satélite Telesur, Jorge Enrique Botero, disse que o canal será "independente", mas não "neutro".
"Algumas notícias sempre incomodam algumas pessoas. Nós só temos de tolerar isso e sempre defender a nossa independência - que não quer dizer que seremos neutros. Independência, sempre. Mas neutralidade, nunca", disse Botero, ao repórter da BBC Iain Bruce.
A Telesur terá transmissões por satélite para toda a América Latina, inclusive Brasil, e deve concorrer com a CNN e com outros canais em espanhol com transmissões de Miami e Atlanta.
"É uma questão de foco, de qual perspectiva nós olhamos para o nosso continente", diz Botero. "Nós queremos olhar para a América Latina a partir daqui (da Veneuzela)."
Al-Bolivar
Andres Izarra, ministro das Comunicações da Venezuela e presidente da Telesur, diz que o objetivo da emissora é "integrar os diferentes países da região por meio da comunicação".
Além da Venenuela, Argentina, Cuba e Uruguai também participam do financiamento do empreendimento.
A iniciativa do governo de Hugo Chávez já ganhou o apelido de Al-Bolivar, uma combinação do canal árabe de notícias Al-Jazeera e do herói da independência preferido do presidente venezuelano Hugo Chavez.
"Você vai ter uma visão da América Latina, mas você vai ter a visão que esses governos querem que você tenha, não uma visão imparcial", disse Alberto Ravell, presidente do principal canal privado de notícias, Globovision.
"Eles têm todos uma posição política, e é a posição política do nosso presidente, que não quer ser apenas o presidente da Venezuela, mas também o líder da América Latina."
Plano Colômbia
De acordo com os comerciais da Telesur, cujo sinal já está no ar a intenção é revelar "a verdadeira cara da América Latina."
Uma das séries prometidas pelo canal é sobre "os caminhos secretos do Plano Colômbia", o programa de erradicação de drogas financiado pelos Estados Unidos na Colômbia.
Num comercial sobre o tema, o locutor pergunta: "Quem vai julgar os soldados do Exército americano apanhados na Colômbia traficando drogas e armas?"
O principal estúdio da emissora também vai funcionar na Venezuela, ao lado das instalações da TV estatal.
A previsão é de que 40 jornalistas estejam trabalhando até o final de setembro no prédio, que ainda está sendo construído, e em outros escritórios espalhados pelo continente.
A programação de 24 horas contará com notícias, documentários e filmes, tudo com a marca "fabricado na América Latina".
Os primeiros programas pré-gravados vão começar a ser transmitidos no fim de julho.