24 de junho, 2005 - 10h04 GMT (07h04 Brasília)
O governo do Irã controla grupos dissidentes e conteúdo político na internet, de acordo com um estudo da organização The OpenNet Initiative, uma parceria de pesquisadores dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e do Canadá.
O The Citizen Lab da Universidade de Toronto, no Canadá, vem utilizando computadores dentro e fora do Irã desde novembro passado para determinar que tipo de conteúdo o governo iraniano está bloqueando e como isso é feito.
O diretor de pesquisa técnica do Lab, Nart Villeneuve, disse que ele e sua equipe testaram mais de mil endereços eletrônicos e verificaram que o governo iraniano não bloqueia apenas sites pornográficos e outros com conteúdo sexual.
"O Partido Comunista do Irã, grupos mujahideen fora do Irã, sites que falam sobre monarquia, sites noticiosos como a Voz da América, coisas como essa estão sendo alvo no Irã", disse Villeneuve.
O estudo também destaca que weblogs estão na mira do governo iraniano, assim como sites que dão ferramentas e dicas de como contornar filtragem de conteúdo na internet.
Em fevereiro, os blogueiros Arash Sigarchi e Mojtaba Saminejad foram presos no Irã. O governo iraniano não divulgou a razão pela qual eles foram presos – sabe-se apenas que é por cauda de seus site –, mas pouco antes os dois haviam criticado o governo por prender outros blogueiros do país.
Filtragem
Ao contrário da China, que filtra o conteúdo de internet de maneira centralizada, o governo do Irã se apóia nos vários provedores de internet para ajudá-lo a praticar censura.
No Irã, os provedores não estão usando tecnologia sofisticada para fazer isso.
Eles utilizam SmartFilter, que é um programa de filtragem produzido pela empresa americana Secure Computing, dos Estados Unidos.
De acordo com o site da Secure Computing, SmartFilter vem com uma database de milhões de endereços eletrônicos bloqueáveis, em mais de 60 categorias.
Villeneuve disse que um usuário, como o governo iraniano, pode pegar essa lista comercial e acrescentar sites que deseja bloquear por razões políticas.
"Há companhias que desenvolvem estes produtos e eles são usados não apenas nas bilbiotecas locais, ou por pais tentando proteger seus filhos."
Secure Computing não quis dar entrevista à BBC, mas emitiu nota dizendo que "não vendeu licença para nenhuma entidade no Irã" e que o uso de seu software no Irã foi feito sem o seu consentimento.
Secure Computing acrescentou que está dando passos para impedir o que chamou de uso ilegal de seus produtos.
A empresa afirmou que está "cumprindo totalmente as leis de exportação, políticas e regulamentos dos Estados Unidos".
Jonathan Zittrain, do-diretor do Centro Berkman para a Internet e a Sociedade da Faculdade de Direito de Harvard, disse que viu o software da Secure Computing também na Arábia Saudita.
Mas Zittrain não quer apontar apenas para a Secure Computing.
Ele afirmou que a Microsoft foi criticada quando revelou que sua ferramenta para blog chinês estava ajudando o governo do país a filtrar palavras como democracia e liberdade.