23 de junho, 2005 - 00h27 GMT (21h27 Brasília)
Angela Pimenta
de Nova York
Ao discursar na tarde desta quarta-feira diante da Assembléia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), a embaixadora americana interina, Anne Patterson, disse que antes de expandir o Conselho de Segurança, a instituição deve se focar na sua reforma administrativa.
“Sabemos que para que a reforma seja bem sucedida, ela deve ser um esforço coletivo,” afirmou.
“A reforma da ONU deve ser vista e trabalhada como um todo. Portanto, e devo enfatizar este ponto, a reforma do Conselho de Segurança não deve se transformar no foco exclusivo da atenção dos Estados membros e do Secretariado.”
Para enfatizar a visão do governo Bush a respeito, Patterson discursou sobre sete pontos considerados importantes para os EUA, deixando a reforma do CS justamente para o final da lista.
Metas do Milênio
No topo das prioridades, Patterson abordou o conceito de desenvolvimento econômico, enfatizando as metas do documento “Declaração do Milênio,” aprovado pela ONU com o objetivo de erradicar a miséria global.
“Reconhecemos que para alguns países em desenvolvimento, especialmente os mais pobres, a redução da dívida e a assistência ao desenvolvimento oficial são fontes essenciais de recursos financeiros,” afirmou.
“Os EUA são líderes em ambas as áreas, tendo cancelado 100% da dívida bilateral dos países mais altamente endividados e dobrado nossa Assistência para o Desenvolvimento Oficial para US$ 19 bilhões de dólares.”
Mas ao tratar da reforma do CS, ao final de sua fala, Patterson manteve a ambigüidade do subsecretário de Estado americano, Nicholas Burns, que anunciou a posição de seu país numa entrevista coletiva na semana passada.
“Consideraríamos apoiar a adição de dois ou mais novos membros permanentes, e de dois a três outros assentos permanentes, alocados para expandir o Conselho para 19 ou 20,” disse Patterson.
Além de reafirmar o apoio do governo Bush à candidatura do Japão ao CS, a embaixadora disse que os critérios para a escolha dos novos membros do Conselho deveriam ser o Produto Interno Bruto (PIB), população, capacidade militar, contribuições a forças de paz, compromisso com a democracia, contribuições financeiras à ONU, histórico de não-proliferação nuclear e contra-terrorismo e, finalmente, equilíbrio geográfico.
Demais prioridades
Na lista de prioridades para o governo americano, Patterson abordou ainda, pela ordem:
• a reforma administrativa da ONU
• a criação de um conselho para os direitos humanos
• a criação de uma comissão para a construção da paz
• a definição do conceito de terrorismo
• armas de destruição em massa
A embaixadora americana conclui seu discurso diznedo que “agora é a hora de reformar essa organização".
"Os Estados Unidos estão prontos para contribuir de todas as maneiras possíveis para essa grande tarefa à nossa frente”, afirmou Patterson à Assembléia-Geral da ONU.
A embaixadora ocupa o cargo de forma interina porque está pendente a aprovação do subsecretário de Estado John Bolton para o posto. Senadores democratas têm adiado a votação sobre o nomeado do presidente George W. Bush alegando não terem tido acesso a documentos sobre Bolton.