20 de junho, 2005 - 23h07 GMT (20h07 Brasília)
Claudia Silva Jacobs
enviada especial a Colonia, Alemanha
Dois “Zicos” vão estar em campo na quarta-feira.
O brasileiro Arthur Antunes Coimbra diz que vai se emocionar ao ouvir o hino nacional.
Logo depois, deixa o nacionalismo de lado e vira o técnico do Japão, que só pensa em sair de campo com a vitória sobre o Brasil.
“É uma situação delicada. É um jogo decisivo para as duas equipes. Mas o Brasil é sempre um time favorito em todas as competições que participa”, disse.
“Mas sempre digo para os jogadores que todos os adversários podem ser vencidos. É preciso força mental, força psicológica, estar bem técnica e fisicamente.”
Zico diz que não ficou surpreso com a derrota do Brasil. Para ele, não “existe surpresa no futebol”. Mas ele considera que o time brasileiro sentiu o peso da derrota.
“Acho que os jogadores pensavam que iam chegar à partida contra o Japão já classificados. Isso pode fazer a diferença. O peso está sobre eles, não sobre nós”, disse.
O treinador, que pela primeira vez vai enfrentar a Seleção Brasileira como técnico, acha que o Japão pode tirar proveito dessa necessidade de o Brasil correr atrás da vitória.
Sem planos
O Japão está com três pontos. O time venceu a Grécia por 1 a 0 no domingo e perdeu a primeira partida para o México por 2 a 1.
Zico, 52 anos, assumiu a Seleção Japonesa em 2002. No ano passado, o treinador ganhou a Copa da Asia, o que lhe garantiu uma vaga na Copa das Confederações deste ano.
Ele descarta qualquer mudança em sua carreira até a Copa do Mundo de 2006.
Não quer sequer falar de um possível interesse em dirigir a Seleção Brasileira.
“Eu estou com o Japão até a Copa do Mundo. Não tenho outros planos, não penso em nada”, disse Zico.
“Nem gosto de falar nisso (assumir a Seleção Brasileira). Não é momento para isso.”
Segundo ele, não faz diferença para o Japão, que é a primeira equipe asiática a garantir antecipadamente uma vaga para a Copa de 2006, o fato de o técnico Carlos Alberto Parreira ter anunciado que vai trocar parte do time para a partida de quarta-feira.
Para Zico, nem assim é possível levar vantagem contra o Brasil.
“Não tem como levar vantagem contra o Brasil”, disse.
Família Coimbra
Quando o assunto é Flamengo, o maior ídolo da história do clube não faz planos, mas assume que gostaria de trabalhar com o time.
“De vez em quando dá aquela vontade de trabalhar com o Flamengo. Eu já ajudo hoje em dia, cedendo meu Centro de Treinamento para eles trabalharem”, disse Zico.
Não é só o brasileiro Zico que vai estar torcendo pelo Japão. O auxiliar técnico da seleção japonesa, o ex-jogador Edu, irmão de Zico, disse que depois do hino só vai pensar no Japão.
“Seremos eternamente brasileiros, mas profissionalmente no campo é que vai decidir. Trabalhamos com o Japão e vamos honrar a camisa”, disse Edu.
Outro que está na torcida é Bruno, um dos filhos de Zico, que está acompanhando o pai na Copa das Confederações.
Bruno disse que toda a família está torcendo pelo Japão ou melhor, pelo sucesso da família Coimbra.