16 de junho, 2005 - 16h54 GMT (13h54 Brasília)
Traficantes estão trazendo crianças africanas para a Grã-Bretanha para serem usadas em sacrifícios humanos, segundo um relatório confidencial da Polícia Metropolitana de Londres obtido pela BBC.
O relatório é baseado em seminários que a polícia fez com comunidades da África e da Ásia que vivem em Londres.
Segundo informações, meninos estão sendo contrabandeados para a Grã-Bretanha para serem usados em feitiços poderosos que requerem o uso de uma criança do sexo masculino.
A Polícia Metropolitana encomendou o estudo por causa da crescente preocupação com crimes ligados à fé, depois do assassinato de uma menina de oito anos da Costa do Marfim, em Londres, há cinco anos.
Ela foi morta pelo casal que tinha a sua guarda. Eles acreditavam que a menina estava possuída por demônios.
No mês passado, duas mulheres de origem angolana foram condenadas na Grã-Bretanha por terem torturado uma menina que elas acreditavam ser uma bruxa.
Igrejas
As informações foram levantadas em dez meses de investigações com a ajuda de assistentes sociais, advogados de direitos humanos e especialistas em relações raciais.
O repórter Angus Stickler, do programa Today da BBC e que obteve o relatório, disse que o documento é aterrorizante.
"Os detalhes mais horrorosos são das comunidades africanas", disse ele.
"O estudo tem relatos sobre rituais e bruxarias sendo praticadas em igrejas em Londres. Parecem ser um grande negócio."
O texto diz que pessoas desesperadas procuram igrejas para fazer feitiços.
'Silêncio'
"Informantes disseram que para o feitiço ser poderoso precisa do sacrifício de um menino não manchado por circuncisão", diz o relatório.
Meninos são trazidos para a Grã-Bretanha com esse objetivo, segundo informantes que não querem dar detalhes por medo de serem mortos.
Há relatos de crianças serem trazidas para servirem como escravos domésticos e por homens com HIV que acreditam que ter sexo com criança vai curá-los da doença.
As pessoas relutam em entrar em contato com as autoridades para informar essas ocorrências, segundo a polícia.
A polícia descreve isso como uma "parede de silêncio" criada pela preocupação de indivíduos de que estariam "traindo" a família, a comunidade e a fé se falassem.