Carlos Chirinos
de Washington
Das quase três milhões de pessoas que nasceram nos Estados Unidos entre julho de 2003 e julho de 2004, a metade é de origem latina, segundo dados do censo americano.
O levantamento mostra que a população hispânica no país cresce três vezes mais do que a média americana. Os hispânicos já são a mais numerosa minoria nos Estados Unidos, ultrapassando a afro-americana.
Em julho de 2004, os latinos somavam 41,3 milhões dos 294 milhões de habitantes nos Estados Unidos. Ou seja, 13% da população.
"É um fenômeno este aumento. Apesar das coisas caminharem lentamente em termos demográficos, vivemos uma mudança. Nesta década estamos vendo mais nascimentos do que imigração hispânica. É a primeira vez que isso acontece desde os anos 60", diz Jeffrey Passel, do Centro Pew de Estudos Hispânicos, baseado em Washington.
Ilegais
O estudo não pôde estabelecer com precisão se estão incluídos nesses dados os entre 8 milhões e 11 milhões de latino-americanos que, de acordo com as estimativas, vivem sem documentação nos Estados Unidos.
Pessoas que estão ilegais tendem a não fornecer informações precisas e mantêm pouco contato com autoridades e serviços públicos.
O Censo mostrou ainda que uma em cada sete casas nos Estados Unidos pertence a um integrante da comunidade hispânica.
Segundo o levantamento, o grupo tem uma taxa de crescimento de 3,6%, comparada ao 1% que a população americana cresce em média.
Os especialistas apostam em uma manutenção da tendência, em parte devido à população jovem de hispânicos nos Estados Unidos: 19 milhões têm menos de 24 anos.
Para Jeffrey Passel, se as tendências forem mantidas, dentro de dez anos os hispânicos representarão 17% da população nos Estados Unidos. Na metade do século 21, essa taxa será de 25%
Tecnicamente, hispânicos são os cidadãos originários de países que falam espanhol, como os da América Latina ou a Espanha.
Portugueses e brasileiros não fazem parte desse grupo.