10 de junho, 2005 - 01h35 GMT (22h35 Brasília)
Marcia Carmo
enviada especial a La Paz
O presidente do Congresso Nacional da Bolívia, senador Hormando Vaca Díez, afirmou que não assumirá o cargo de presidente do país se a renúncia de Carlos Mesa for aceita pelo Parlamento.
"Se na sessão do Congresso o voto é pela renúncia (de Mesa), Hormando Vaca Díez renunciará irrevogavelmente. Sem isso de ficar renuncia, não renuncia. E com isso se acabou", disse.
Se o senador realmente não ocupar a vaga aberta com a saída de Mesa, o número dois na linha sucessória é o presidente da Câmara dos Deputados, Mario Cossio.
Se Cossio também não assumir o cargo, estará aberto o caminho para a convocação de eleições gerais, como é o desejo dos manifestantes que, há semanas, realizam protestos em todo o país.
As Forças Armadas estão em estado de alerta.
Tensão
Num pronunciamento feito em Sucre, a antiga capital constitucional da Bolívia, Vaca Díez afirmou que Mesa e Evo Morales, o líder da oposição, são os responsáveis por essas manifestações.
De acordo com o senador, Mesa teria levado os mineiros, e Morales os índigenas para as ruas.
Vaca Díez afirmou que uma nova sessão do Congresso só será realizada quando as manifestações forem encerradas.
A sessão do Congresso Nacional da Bolívia que vai decidir se a renúncia do presidente Carlos Mesa será aceita foi suspensa nesta quinta-feira.
A tensão e a pressão dos manifestantes que cercam a Praça 25 de maio, na cidade de Sucre, onde os parlamentares estão reunidos, levaram Vaca Díez a adiar o encontro.
Segundo as televisões da Bolívia, os parlamentares estão ilhados no edifício onde seria realizada a sessão. Eles temem ser agredidos pelos manifestantes.
Morte
O ministro do governo, Saul Lara, confirmou a morte de um mineiro, Carlos Coro Mayta, de 52 anos, nesta quinta-feira. É a primeira morte desde que a turbulência social começou.
Ele informou que as primeiras notícias são de que a morte ocorreu num momento em que se jogavam dinamites nos policiais em Sucre. Três pessoas ficaram feridas.
Com o aumento da tensão, diversos países já pensam em retirar seus cidadãos da Bolívia.
Na embaixada do Brasil em La Paz, o embaixador Antonio Lisboa Maia realiza reunião com os três adidos militares e com diplomatas.
Mas ninguém comentou sobre o plano de evacuação dos brasileiros residentes no país.
Segundo a imprensa boliviana, as embaixadas da Espanha, que possui 3,6 mil cidadãos vivendo no país, e de Israel, entre outras, já teriam o mesmo plano.
Ao mesmo tempo, o chanceler do Peru, Manuel Rodríguez, disse que os 60 peruanos que, oficialmente, vivem na Bolívia serão levados para a capital do país, Lima.
"Essas pessoas vão ser levadas imediatamente porque estão sofrendo com o desabastecimento de alimentos e em alguns casos não podem receber dinheiro do exterior", afirmou, referindo-se principalmente aos que vivem nos lugares mais afetados pelos bloqueios das estradas, as cidades de La Paz e El Alto.