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09 de junho, 2005 - 15h47 GMT (12h47 Brasília)

Diego Toledo
de São Paulo

Lula manda Garcia como observador para a Bolívia

O assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, viajou nesta quinta-feira para a Bolívia, onde acompanhará os desdobramentos da crise política que atinge o país.

A viagem de Garcia atende a um pedido do presidente boliviano, Carlos Mesa, que telefonou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quarta-feira para manifestar o desejo de que o Brasil, junto com a Argentina e a ONU, pudesse enviar uma missão de observação à Bolívia.

Além do assessor de Lula, a missão será formada pelo diplomata argentino Raúl Alconada Sempé e pelo colombiano José Ocampo, ex-diretor da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, um órgão da ONU).

Depois de desembarcar em Santa Cruz de la Sierra, Marco Aurélio Garcia deve seguir para Sucre, onde vai acompanhar a sessão do Congresso boliviano que analisará o pedido de renúncia do presidente Carlos Mesa e o processo de sucessão constitucional no país.

Durante a viagem, o assessor de Lula também deve se reunir com líderes locais e com as autoridades eclesiásticas que têm sido apontadas como um foco de neutralidade e diálogo na crise boliviana.

Petrobras

Na quarta-feira, em nota oficial, o Ministério de Minas e Energia afirmou que está avaliando de forma sistemática, em conjunto com a Petrobras, a evolução da crise política na Bolívia e os possíveis efeitos no abastecimento de gás natural no Brasil.

“O Ministério de Minas e Energia e as empresas produtoras e distribuidoras de gás natural estão definindo um plano de contingência para o abastecimento prioritário do gás natural caso a situação da Bolívia leve à interrupção do fornecimento do produto ao Brasil”, diz o comunicado.

A Petrobras afirma que tem capacidade para manter o fornecimento de gás natural no Brasil por mais uma semana e que, caso a crise boliviana se prolongue por mais tempo, a empresa já planejou uma série de medidas para evitar o desabastecimento.

De acordo com a Petrobras, o Brasil importa da Bolívia 24 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia.

O governo brasileiro tem procurado adotar uma postura discreta diante da crise política na Bolívia. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, por exemplo, disse na última terça-feira que ainda é prematuro fazer comentários sobre a situação no país.

Amorim acrescentou, no entanto, que o governo brasileiro acredita em uma solução pacífica e constitucional para a crise e que “sempre que solicitado estará disposto a ajudar, junto com países sul-americanos”.