09 de junho, 2005 - 20h12 GMT (17h12 Brasília)
Roland Buerk
de Cabul
Centenas de soldados desertaram do Exército afegão, reclamando de más condições e dura resistência do Talebã, segundo autoridades americanas.
É um golpe para o governo do Afeganistão, que quer aumentar o tamanho do Exército para que o número de tropas estrangeiras no país possa ser reduzido.
Um porta-voz militar americano disse à BBC que cerca de 300 homens desertaram.
Isso significa um em cada 12 integrantes de todo o Exército.
A unidade afetada pelas deserções é a primeira a ser posta em ação e está baseada em torno da cidade de Kandahar, no sul do país.
Bancos
A região tem presenciado alguns dos combates mais duros contra integrantes do Talebã e de seus aliados da Al-Qaeda.
Integrantes dessa unidade estão em combates praticamente todos os dias.
Segundo oficiais americanos, outra razão para as deserções são as dificuldades com o pagamento dos soldados.
Eles recebem cerca de US$ 75 (cerca de R$ 187) por mês – um bom salário no Afeganistão –, mas a falta de um sistema bancário impede que eles enviem dinheiro para suas famílias.
As tropas americanas sofreram novas baixas recentemente.
Na quarta-feira, dois soldados americanos foram mortos e oito feridos em um ataque com mísseis perto da fronteira com o Paquistão.
O governo do Afeganistão quer que o número de tropas internacionais no país seja reduzido a longo prazo e que o Exército afegão assuma maior responsabilidade nos combates.
Para que isso aconteça, os número de integrantes do Exército afegão tem que triplicar, chegando a cerca de 70 mil em 2007.