08 de junho, 2005 - 12h09 GMT (09h09 Brasília)
Não é só no Parlamento e na Câmara dos Lordes que se discute o assunto.
O assunto chegou a essas estratosféricas alturas precisamente porque, como tudo mais que diz respeito à política, começou com gente discutindo ou trocando sopapos nas esquinas.
É a propalada, a longamente esperada (talvez até desejada) invasão das ilhas britânicas pelos estrangeiros.
E os estrangeiros, todos sabem, são sempre inimigos. Vieram viquingues, normandos, saxões, holandeses, o diabo e, dizem, foram invariavelmente absorvidos pelo aprazível clima e generosa gente aqui reinante.
Deste notável estado de coisas, temos o que aí está, ou, como é o caso, temos o que aí estava.
No momento, ou seja, de uns anos para cá, o que temos é um bruta medo dos imigrantes, dos asilados políticos ou dos expatriados em busca de uma vida melhorzinha.
Não vamos, no entanto, afobar e condenar logo de cara os britânicos. Povo de ilha é assim.
Cercado de mar por todos os lados, comprimidos num espaço que perde para muito estado brasileiro, os britânicos tem uma certa razão.
Friso o “certa”. Meio mineiro que sou, sei muito bem que não há nada nem ninguém no mundo que não tenha “certa razão”. O negócio é não exagerar.
Excluídos os asilados políticos, cujos casos são de difícil julgamento, o resto da turma, os expatriados, os gringos feito eu, passaram, passamos, todos a constituir, aos olhos de muitos dos ilhéus, uma ameaça à integridade dos usos e costumes das verdes terras repletas de boizinhos, carneiros e aristocrata à caça da raposinha.
Coitados dos britânicos… Não notaram nada. Terminada a guerra-fria, quem aqui está instalado mesmo – e em número cada vez maior – é o terrível inimigo de ontem: os russos.
Só que, agora, sem foice, martelo, apenas o grosso tutu nosso de todos os dias.
Gorbachev, embora destituído de autoridade para falar de qualquer coisa a ver com poder e como nele se manter, já deu o aviso esta semana em entrevista: cuidado com nossos milionários, gente.
Eles estão comprando quarteirão por quarteirão da terra de vocês.
Bem, antes eles do que os… aí começam os preconceitos de cada um.