07 de junho, 2005 - 17h12 GMT (14h12 Brasília)
Thomas Pappon
A Embaixada do Brasil em Bagdá pode ser reaberta até o final deste ano, se as eleições legislativas forem realizadas com sucesso.
Segundo o chefe do Núcleo Iraque da Embaixada em Amã, Paulo Joppert, a representação em Bagdá será instalada "tão logo as condições assim o permitirem".
De acordo com Joppert, a expectativa é que essas condições poderiam ser dadas com a realização das eleições legislativas em dezembro.
A data também foi mencionada por Aune Al-Dayri, libanês naturalizado brasileiro que toma conta do patrimônio do Itamaraty em Bagdá e foi chefe do setor comercial da embaixada entre 1983 e 1990.
Em entrevista à BBC Brasil, Al-Dayri disse que foi informado de que "o governo brasileiro está com intenção de reativar a embaixada até o final do ano".
Al-Dayri afirmou que a situação atual no país "não é encorajadora".
"Só com a criação de um novo governo constitucional é que temos condições de seguir em frente".
A embaixada brasileira no Iraque foi fechada e as atividades consulares foram suspensas após a invasão do Kuwait pelo regime de Saddam Hussein em 1990, que resultou na Guerra do Golfo em 1991.
O Brasil vê o Iraque como um importante mercado e já está se mexendo para retomar os laços comerciais o mais rápido possível.
Joppert contou que o Itamaraty, em parceria com a Câmara Comercial Brasil – Iraque, está organizando uma feira em Amã, em setembro, chamada “O Brasil na Reconstrução do Iraque”.
"Vai ser uma oportunidade para que empresários brasileiros venham a Amã para restabelecer contatos comerciais com o Iraque", disse Joppert.
O próximo passo no calendário político do Iraque é a criação de uma Constituição até 15 de agosto.
A exemplo do que ocorreu na formação do atual governo, o comitê parlamentar que vai redigir a Constituição está tendo dificuldades para incluir representantes sunitas.
Representando cerca de 20% da população, os sunitas boicotaram a eleição passada. Por isso eles têm apenas 17 dos 275 deputados do novo Parlamento.
Os sunitas estão exigindo 25 das 55 vagas do comitê parlamentar que vai redigir a Constituição. Os xiitas, que representam 60 por cento da população e dominam o parlamento, não querem abrir mão da maioria neste comitê.
A Constituição tem que ser aprovada em um referendo em Outubro. No dia 15 de dezembro, os iraquianos volta às urnas para eleger o seu novo parlamento.
Joppert acredita que a situação no país deve ficar mais estável com a participação dos sunitas no governo, após as eleições no fim do ano.
"Se isso ocorrer, as condições vão ser outras e a possibilidade de estabilidade maior também", disse ele.