06 de junho, 2005 - 09h31 GMT (06h31 Brasília)
Caroline Hawley
O governo do Iraque anunciou que vai dobrar o salário dos professores universitários em uma tentativa de acabar com a fuga de cerébros do país.
Médicos, professores e empresários têm deixado o Iraque, principalemente, por causa da violência.
Não há estatísticas disponíveis para contabilizar a escala dessa fuga e, segundo um porta-voz do governo, “realisticamente falando há muito pouco que possa ser feito para resolver o problema”.
Estima-se que 4 milhões de pessoas deixaram o Iraque durante o regime de Saddam Hussein, entre eles, alguns dos profissionais mais destacados em suas áreas.
Logo depois da guerra, alguns dos exilados retornaram, mas, passado dois anos, a fuga de cérebros continua crescendo.
Serviço de saúde
Os professores universitários terão seus salários dobrados, mas o problema não se resume ao campus.
Médicos também estão fugindo, com conseqüências preocupantes para o sistema de saúde, que já enfrenta problemas com a falta de equipamento e de leitos.
Uma radiologista iniciante disse à BBC que muitos de seus colegas mais experientes deixaram o país por causa das ameaças de seqüestro e morte.
"A maioria fugiu do país, mas nós precisamos desesperadamente do conhecimento deles", disse a radiologista.
"Esse é o maior problema que enfrentamos agora no hospital. A maioria dos médicos experientes deixou o país, e acredito que especialistas em outras áreas também tenham saído do Iraque."
Além dos médicos, que têm sido ameaçados e seqüestrados, dezenas de professores universitários também foram assassinados.
Um alto oficial do governo disse acreditar que os profissionais iraquianos estão sendo alvo de ataques deliberados e sistemáticos e não apenas de crimes comuns.