http://www.bbcbrasil.com

03 de junho, 2005 - 10h56 GMT (07h56 Brasília)

Robert Walker

Burundi tem 1ª eleição 15 anos após guerra civil

O Burundi está realizando nesta nesta sexta-feira eleições municipais, o primeiro pleito no país desde a eclosão, em 1993, de uma sangrenta guerra civil.

A votação é um passo histórico na tentativa de criar um novo equilíbrio político para encerrar a guerra que opôs a maioria de etnia hutu e o Exército, liderado por tutsis.

Mais de 3 mil vereadores serão escolhidos. No mês que vem, a população vai eleger representantes para o Senado e o Parlamento, antes de votarem para presidente em agosto.

As últimas eleições no Burundi, em 1993, precipitaram a tragédia, quando o hutu Melchior Ndadaye venceu a disputa presidencial.

Ele foi assassinado pouco depois por soldados tutsis, dando origem a uma guerra civil que deixou cerca de 300 mil mortos.

Acordo

Todos os grupos rebeldes, com a exceção de um deles, depuseram suas armas e aderiram ao processo político.

Sob pressão de líderes africanos, políticos hutus e tutsis negociaram um acordo que garante a ambas as comunidades uma fatia do poder.

As eleições locais, primeiro passo para a implementação desse acordo, vão servir de termômetro sobre a popularidade dos dois principais partidos hutus, a Frente para a Democracia no Burundi e as Forças pela Defesa da Democracia, antigo grupo rebelde.

Os dois grupos rivais competem pelo prêmio maior em jogo no país: a conquista do poder na esfera nacional.

Na quinta-feira, um dos principais partidos tutsis, o Partido pela Recuperação Nacional, anunciou que não reconhecerá os resultados da eleição, após acusar um partido tutsi rival, a União pelo Progresso Nacional, de estar preparando fraudes.

Se este pleito – e as próximas eleições até agosto – ocorrerem de forma pacífica, o Burundi terá dado um grande passo para abandonar a violência.

Apesar disso, a nação africana ainda enfrenta enormes desafios: as divisões étnicas continuam profundas, e membros da minoria tutsi temem que os partidos hutus passem a dominar o novo Burundi.