31 de maio, 2005 - 15h27 GMT (12h27 Brasília)
No mundo da música, em especial da ópera, Alberto Vilar era tão festejado quanto seus heróis favoritos, um personagem que inspira outras obras de arte.
Vilar é um refugiado cubano que, motivado pela avó paterna, se apaixonou por música.
Nos Estados Unidos, sem perder sua paixão, estudou economia, trabalhou em bancos e abriu sua própria investidora.
Na década de 90, durante a explosão da informática, seu Amerindo Technology Fund chegou a render 249% ao ano. Choviam milhões em cima dele.
E Alberto Vilar adorava passar o dinheiro adiante. Doou US$ 125 milhões para várias instituições e se comprometeu a doar outros US$ 125 milhões.
Em Nova York, no circuito das artes, era estrela nas estréias, festas e páginas sociais. Dizia que ia a cem óperas por ano.
Adorava também ver o próprio nome em letras grandes nas placas, prédios, programas e bolsas de estudos ligados a música. Na Ópera Metropolitana de Nova York, uma das áreas mais nobres leva o nome dele, que estava até no cardápio.
Queria mais. Chegou a propor que os grandes benfeitores das óperas subissem ao palco junto com os cantores nas estréias, mas a idéia foi rejeitada.
Quando a bolha da informática estourou em 2000, Vilar desafinou.
Muitos compromissos não foram cumpridos. Seu nome e suas placas começaram a ser retirados ou apagados, mas ele continuou prometendo.
Na sexta passada, voltando de uma conferência sobre investimentos, Vilar foi preso e algemado, acusado de roubar US$ 5 milhões de um investidor.
O ex-mecenas mora em frente à ONU num apartamento de 1, 1 mil metros quadros cobertos de quadros, tapetes e esculturas, mas continua na prisão nova-iorquina, entre presos comuns, sem dinheiro para pagar a fiança de US$ 10 milhões imposta pelo juiz.
Vilar não tem nem US$ 10 mil na conta bancária. Aos 64 anos, se queixa de problemas de saúde, da ingratidão dos beneficiados e da falta de música.